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quinta-feira, 30 de junho de 2011

Pico do Inficcionado, Brasil



Fim de junho no Brasil, a 2069 mts de altitude.

Às 17 hs no cume do Pico do Inficcionado, nosso termometro marcava sete graus Celcius. Quando escureceu lemos cinco graus. Quando o vento entrou forte às 3 da madrugada e saí para conferir as estacas da barraca, o termometro indicava três graus. Quando sai da barraca por volta das 6:30 da manhã havia orvalho congelado sobre parte do equipamento que dormiu ao relento, indicando que haviamos chegado ao zero grau, numa noite sem umidade.

Monitorei meus filhos a noite toda, nem um tremorzinho, não tomaram conhecimento da temperatura, que já tinhamos antecipado. Estavamos preparados.

O dificil aqui é fugir dos chavões, de todos os adjetivos e superlativos para definir o Inficcionado, da sua beleza ao preço fisico que é cobrado dos escaladores.  Deixarei esta parte para as imagens em si.








Cume do Inficcionado coberto de nuvens na manhã da escalada. Vencido o duro trabalho vertical, 'Leões da Montanha' na toca. Noite chegando gelada, junto com minha maior preocupação.









Foram sete horas até o cume. Montamos o acampamento rápido antevendo a noite dura. Água historicamente congela em canos do Santuário nesta época. O objeto em frente à barraca na foto com fogueira em primeiro plano é um aquecedor à gás Jackwall. Pe. Lauro Palú, o homem que mais conhece a região, previu possibilidade de hipotermia (morte) num pernoite naquela altitude em fins de junho, e assim, escalei com 35 kg de equipamento nas costas, aquecedor e bujão cheio inclusive. Na manhã seguinte Luquinha, acima, com seu caldo de feijão e bacon quentinho, enquanto Gabriel contempla seu feito, acima das nuvens. Com a credibilidade de seus 43 anos como guia no Caraça,  João Julio confirma que estes meus dois heróis (8 e 11 anos) foram os mais jovens escaladores a vencer o paredão.




O Inficcionado  não é lugar para inocente. A chance de algo dar errado (como já ocorreu) é grande. Minimiza-se essa chance tendo ao lado gente como João Júlio. Cavalheiro discreto, focado, versado nas Ciencias Naturais, na Filosofia e no Absoluto; enquanto escrevo, sinto saudades. Faremos os Sete Picos sob orientação de João e  Neneco - os únicos guias de todos picos -  Pico do Sol ( 2072m), o Pico do Inficionado (2068m), o Pico da Carapuça (1955m), o Pico da Canjerana (1890m), Pico da Conceição (1800m), Pico Três Irmãos (1675m)  e o Pico da Verruguinha (1650m).


Explorando fendas e cavernas no topo, chega-se a locais como esse abaixo, maior caverna de quartzito do mundo. Chavões, adjetivos e superlativos tentam novamente saltar pela boca agora, mas não vou ceder. Melhor mostrar


 


Entramos 100 metros pela Gruta do Centenario. Paramos quando a presença excessiva de guano poderia levar a problemas neurológicos posteriores. Sentimos alí o forte cheiro de café que antecede o avistamento da onça parda. Um pouco adiante coletei sua fezes para Pe. Lauro encaminhar aos pesquisadores. Saber que ela estava ali foi o mesmo de tê-la avistado.

Para uma visita mais completa à Gruta do Centenário, acesse http://lachesisbrasil.blogspot.com/2011/12/editando.html


Mais adiante avistamos a ação da verdadeira fera. O agricultor deve respeitar topo de morro. O construtor também. O fazendeiro não pode tocar na vegetação destas áreas. Os mineradores podem levar o pacote completo, a montanha inteira. Podem baixar o lençol freático dos vizinhos.


Luquinha observando a grande piada, uma mina denominada ALEGRIA pela Vale. Gabriel se declarou indignado e disposto, em suas palavras, a 'espalhar pelas redes sociais'  estas imagens, para buscar mais defensores pela preservação de areas do entorno do parque  da RPPN do Caraça. Neste ponto senti que a viagem valeu.


E foi assim que passamos dois dias gravitando o Inficcionado, o mundo da suçuarana. Irreversivelmente condenados ao retorno às altas montanhas.








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domingo, 19 de junho de 2011

Alguns hábitos e táticas adaptativas de Lachesis






Custei a entender que Lachesis não era Bothrops grande. O gênero é ode adaptativa ao ambiente frio da mata primaria.

Tubo digestivo gigante, digestão lenta por baixo metabolismo/catabolismo nas baixas temperaturas. Aprendi que estes gigantes preferem alimentar-se de presas pequenas, de até 280 gramas.

Observei que para não acelerar o metabolismo, surucucus só tomam os primeiros raios de sol do dia, e assim, não toleram recintos com temperatura superior a 28° C. Presas grandes e muito calor é igual a uma bomba pútrida precocemente se distendendo num trato digestivo anormalmente longo, adaptado ao frio, e que tenderá a promover regurgitação defensiva.








O rato-paca, favorito de Lachesis na natureza, bicho de 200 gramas. Ofereça ratos maiores, e exponha as cobras a altas temperaturas, acima de 28° C e vai perder todo o seu plantel por lesão esofagica por regurgitações, como quase aconteceu comigo no inicio




Todas as Lachesis do NSG caçam presas vivas* de duas (inverno) à três (verão) vezes ao mês, em recintos grandes (até 40 mts quadrados), com muitos pontos de fuga e ocultação para os ratos. Talvez por isso não existam cobras obesas e letárgicos no NSG.


*Observação: oferta de animais vivos só até 2013, à partir daí passamos a oferecer ratos abatidos, congelados por 3 meses, tendo em vista  controle parasitário e eliminação da questão 'dor' para ratos oferecidos


A tática do bote alimentar é sempre a mesma: strike-hold, tirando a presa do chão, e com injeção direta de peçonha dentro de coração-pulmão.


Outra adaptação para que não haja necessidade da missão impossível de rastrear uma presa por dezenas de metros, no solo alagado da Mata Atlântica primária.

















































































Outro hábito interessante de Lachesis, é o de banhar-se na chuva, talvez pelo resfriamento causado, e por liberar mudas parciais de pele. No NSG são observadas saindo das tocas quando chove. Noite chuvosa sem lua, é noite de Lachesis exposta na floresta.

Abaixo dois filhotes, gloriosos na alta umidade ...






Concluindo,  uma pequena revisão da adaptação à alta umidade e clima frio da mata: 1) longo tubo digestivo, pela digestão lenta pelo baixo catabolismo  induzido pela baixa temperatura ambiente, e pelo fato da peçonha não ser tão proteolítica quanto a de Bothrops por exemplo, que se frita ao sol; lembrar da função digestiva do veneno 2) preferencia alimentar por animais pequenos, pelos mesmos motivos acima  3) banhos de sol em momentos de baixa irradiação no "primeiro sol da manhã", pelos mesmos motivos acima 4) strike-hold alimentar, para que a presa não se perca em solo alagado, onde detecção termo-sensorial fica impossibilitada, e finalmente 5) a rugosidade da jaca na pele da 'surucucu pico-de-jaca', como hiperqueratinização para aumentar a resistência ao ataque de fungos e
bactérias comuns ao ambiente úmido, também conferindo à pele de Lachesis função escavatoria: roçando o corpo contra as paredes por dias a fio, elas alargam os buracos de paca e tatu, criando 'salas' onde colocarão os ovos. Muita terra do dorso, como abaixo, indica trabalho de lixa, e romance.



confira também:






domingo, 12 de junho de 2011

The Gap: LACHESIS no Maranhão




Sei que ela já esteve por lá: "A surucucu é muito brava e venenosa, tem a pele pintada com simetria e ferrão na cauda. A surucucú de fogo é avermelhada, e persegue de noite quem leva fogo, e atira-se a este para apagar". É o que se lê na 'Relação Histórica da Província do Maranhão" ou "Poranduba Maranhense" de Fr. Francisco N.S dos Prazeres, capitulo XXXI, de 1819.

Desconheço se o animal faz parte da tradição oral das etnias Caru, Awá-Guajá e Kaapor, habitantes de áreas de floresta com melhor preservação.

Impossível que o Gênero simplesmente deixasse de ocorrer à partir da divisa Pará / Maranhão, como colocado por Campbel e Lammar, em Venomous Reptiles of the Western Hemisphere. Lachesis é bicho de altitude, de clima mais frio, e a Serra do Gurupi (MA) que cruza a fronteira MA/PA, e os outros complexos montanhosos adjacentes, como Tiracambu, Croeira e Itapirucu, estão em area onde o Tocantins não seria a importante barreira de dispersão que é para animais migrando de Oeste para Leste, do Para, sabidamente território de Lachesis, para os complexos montanhosos da divisa com o Maranhão.

E também  o Rio Gurupi (divisa PA-MA) não é, em trecho algum, tão largo quanto o Tocantins. Perene, não chega a ser um riacho, exceto rumo sul (4°30' Lat 5 / 47°30' Long W), onde inclusive tem outro nome, Cajuapara, 200 Km ao norte da aí sim 'intransponível' bifurcação Tocantins - Araguaia. Próximo à Rebio Gurupi, passando sob a ponte da BR-316, o Rio Gurupi tem curso médio, com 10 mts de largura na estação seca, e assim, este rio não pode ser considerado barreira de dispersão.

Os relatos de avistamentos vindos do Núcleo de Fauna do Ibama do Maranhão, e também da Superintendente Regional, Dra. Marluze Pastor, levam à conclusão que o gênero provavelmente ainda incide 1) no complexo montanhoso supra citado, entre 46-47° W e 2-5° S, na região da divisa com Pará, e também 2) naquela região próxima ao litoral chamada de "Baixada", ao norte do estado, bem como 3) mais ao interior do estado, nas vizinhanças de Itapeuru-Mirin (44°W / 3°S), em 'ilhas florestais'.

A floresta amazônica maranhense apresenta-se sobretudo em forma de "ilhas", em processo semelhante ao que associamos à Mata Atlântica. Entre essas "ilhas",  verificam-se 1) uma matriz de pastagens, 2) densidade demográfica  relativamente alta (para os padrões amazônicos) e 3) intensa atividade de  carvoaria. Como no Rio de Janeiro e Minas Gerais (Parque do Rio Doce), o animal deve ser considerado no minimo, como em extinção no Maranhão.

A coleção Museu Emilio Goeldi, Pará, não tem Lachesis coletadas no Maranhão.

Fica então faltando o exemplar.

No Maranhão, na contra-mão de todo o país, não há um Centro de Informações Toxicologicas.

CONTUDO, o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), um sistema do Ministério da Saúde, com atualizações de 2006 compiladas de agravos oriundos de Secretarias de Saude municipais do Maranhão, apresenta sete notificações de acidente laquetico, e podemos assim ampliar sua 'range distribution', à despeito da falta do bicho fixado num CIAVE, CEATOX que vergonhosamente não existe por lá. 

Confira a situação de calamidade ambiental do Maranhão, abaixo, para melhor entender porque o gênero Lachesis tende a ser localmente extinto por lá. E fechando a postagem, confira a calamidade social daquele Estado, lembrando que conservação não caminha lado a lado com fome e ignorância.

Metade da Amazônia maranhense já foi derrubada.
Estado perdeu quase 1% de suas matas em um ano.
Iberê Thenório do Globo Amazônia

    O Maranhão é o estado amazônico que está destruindo sua floresta com maior velocidade. Entre agosto de 2008 e julho de 2009 o estado perdeu quase 1% da mata que ainda resta no estado, revela uma análise do Globo Amazônia feita sobre os focos de desmatamento detectados pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Apesar de ser um estado do Nordeste, o Maranhão já teve 59% de seu território coberto por floresta amazônica. Hoje, apenas metade dessa mata permanece em pé, principalmente dentro de reservas e terras indígenas nas proximidades da divisa com o Pará. 

No último levantamento anual do desmatamento realizado pelo Inpe, o Maranhão foi o terceiro estado amazônico que mais desmatou. Foram 980 km² de matas derrubadas, que ficam atrás apenas da devastação do Pará e Mato Grosso.


Quando se leva em consideração o quanto cada local tem de floresta, contudo, descobre-se que o estado nordestino é o lugar onde a Amazônia é destruída com maior velocidade, já que 0,95% de duas matas foram derrubadas em 12 meses. O ritmo é maior que o dobro do registrado no Pará, que perdeu 0,42% da sua área de floresta no mesmo período.

Veja, abaixo, como foi o ritmo do desmatamento em cada unidade da federação:


Quanto de amazônia foi destruído em cada estado
Estado Floresta em ago/2008 (km²) Desmatamento 2008/2009 (km²) % da área desmatada 2008/2009
Maranhão 101.779 980 0.95%
Tocantins   10.096 56 0.55%
Pará   879.521 3.687 0.42%
Rondônia  129.277 505 0.39%
Mato Grosso   319.342 1.047 0.33%
Acre   138.379 211 0.15%
Roraima   153.194 116 0.08%
Amazonas   1.465.791 406 0.03%
Amapá  108.781 - -

 

The Economist

A Brazilian political boss


Where dinosaurs still roam


A victory for semi-feudalism


JOSÉ SARNEY first ran for elected office over half a century ago. For the past 40 years he has controlled the fortunes of Maranhão, a state on the eastern fringe of Brazil’s Amazon region. He has represented it as federal deputy (twice), governor, and senator (twice). In 1985 he became the accidental, and undistinguished, president of Brazil when the man chosen for the job died before he could take it up. More recently he has been senator for the nearby and newly-created state of Amapá (twice). Time to retire, one might think.


Mr Sarney may look like a throwback to an era of semi-feudal politics that still prevails in corners of Brazil and holds the rest of it back. But with the tacit support of Luiz Inácio Lula da Silva, the country’s left-of-centre president, he was this week chosen to preside over the Senate. It is the third time in his career that he has held this powerful job, which confers a degree of control over the government’s agenda and opportunities for patronage.


And so it will buttress Mr Sarney’s grip over Maranhão just when some locals hoped that this was beginning to crack. The centre of São Luís, the state capital, is decrepit. Some historic buildings are well cared for, such as the gleaming white Church of Our Lady of the Exile. But most are slowly crumbling in the hot, wet weather. The streets are pitted with potholes. An extraordinarily large number of people hang around in the hope of getting a tip in return for showing drivers where to park. In a city of 1m people, there were 38 murders last month alone.


But it is outside São Luís where Maranhão’s backwardness is most evident. In Sangue, a town in the interior, many people live in single-room houses, roofed with palm fronds, that lack both running water and electricity. Public transport is scarce. There is nothing much to buy or sell beyond bucketloads of bacuri, an Amazonian fruit. Educational achievement across the state is poor. Its infant mortality rate of 39 per thousand live births is 60% higher than the Brazilian average.




Sarney and Lula, strange allies (Reuters)


Dominance by a single man or family was not uncommon in Brazil’s north-east. But it is fading away. The Sarney clan is becoming unusual. Mr Sarney’s daughter, Roseana, has been Maranhão’s governor and currently represents it in the Senate. His son was a minister in Brazil’s previous government. Other relatives are scattered in positions of authority in Maranhão’s courts and the civil service. One of his lieutenants, Edison Lobão, is Lula’s minister for mines and energy. When he took the job, Mr Lobão’s seat in the national Senate went to his son; his wife sits in the lower house. All three of Maranhão’s senators answer to Mr Sarney, as do his fellow senators from Amapá.


This control is aided by the Sarney family’s ownership of Maranhão’s biggest media company. Its television station transmits the programmes of Globo, which produces Brazil’s most popular soap operas. These are interspersed with glowing news reports about the owner’s family. Controlling television and radio stations is particularly useful in rural Maranhão, where a majority of the electorate is illiterate and where the Sarneys now draw most of their support. “We are ruled by an electronic oligarchy,” laments Zé Reinaldo, a former state governor.


Even so, the family’s power may finally be waning. In 2006 Roseana Sarney lost the gubernatorial election to Jackson Lago. But Mr Lago and his deputy are currently being investigated for electoral crimes. If they are impeached, Ms Sarney will take over as governor once again. In last year’s municipal elections, Sarney candidates suffered some setbacks. “Sarney always says that Maranhão must vote for him so he can bring federal money from Brasília,” says Arleth Santos Borges of the Federal University of Maranhão. “In fact he needs power in Brasília to shore up power here.” That is what the Senate presidency brings him.


Meanwhile Maranhão continues in its sad way. “For fifteen years I have heard Sarney say he will bring development and tourism to Maranhão, but we still have one road in and one road out of this city,” says Hélio, a waiter in São Luís. “And they are both a mess.”






sexta-feira, 10 de junho de 2011

REGRA DE OURO EM LACHESIS: POUPAR REGIÃO CERVICAL






Ainda sobre as técnicas especiais de manipulação exigidas por Lachesis, enumero:

1) Manuseio livre, não recomendado mas necessário no transporte interno entre os diversos estágios do confinamento do NSG, sem estressar o animal, POUPANDO A ÁREA CERVICAL.




2) O Bushamp, essencial em procedimentos não muito demorados e envolvendo os 2/3 distais (sentido caudal) do animal,

http://lachesisbrasil.blogspot.com/2011/06/o-bushamp.html


3) O "T do Gabriel"

A ideia espontânea do meu filho Gabriel surgiu quando ele bem pequeno 'trabalhava' comigo e observava um certa agitação clautrofóbica na cobras inseridas nos tubos tradicionais, para algum manuseio mais prolongado e sem anestesia, como abaixo:




Num insight, Gabriel concebeu o artefato abaixo, que testei com sucesso um tempo depois, em suturas de grandes lacerações em Lachesis agredidas à facão. Outras formas de contenção prolongada nos trouxeram situações de 'estado de choque'. Com o "T", nunca mais.







domingo, 5 de junho de 2011

O BUSHAMP - Artefato para sexagem de Lachesis adultas sem imobilização cervical, desenvolvido no NSG




O NSG é um experimento continuo.

http://www.lachesisbrasil.com.br/download/BulChicagoHerpSoc_Vol43Num10pp157-164%282008%29.pdf

Um exemplo do novo, vindo da necessidade de sexar, tirar carrapatos, medicar, curar ferimentos e etc, sem imobilizar a cabeça e poupando sempre a região cervical de manuseio, nasceu por inspiração do surrealista Marcel Duchamp:


Imagine esta obra de Duchamp sem a roda, mas com o eixo


Se posiciono o animal entre os eixos do garfo, e manipulo gentilmente a região caudal, posso atuar de forma segura, fazendo procedimentos sozinho, impedindo um bote para trás tensionando ou liberando o animal, conforme a área a trabalhar. Abaixo estou sexando. Apresentamos então o Bushamp, sem o qual não há lida no NSG. Bushmaster + Marcel Duchamp:





CONFIRA AQUI VIDEO DO POSICIONAMENTO DO ANIMAL NO ARTEFATO, SEMPRE POUPANDO A PORÇÃO CERVICAL:

sábado, 4 de junho de 2011

Pergunta (Preto) - Resposta (Azul): VERMIFUGAÇÃO



Saludos Don Rodrigo,


Mi nombre es Rodolfo Vargas leiton, soy Biologo y soy en fundador del Refugio Herpetologico de Costa Rica, desde hace 3 años hemos venido trabajando en programas de reproduccion de especies con poblaciones vulnerables en Costa Rica, 2 de las especies que tenemos con poblaciones reducidas son Lashesis stenophris y Lachesis melanocephala, en este momento tenemos pocos ejemplares en Cautiverio y estamos tratando de reproducirlos para liberacion de ejemplares en zonas protegidas. Como lo hemos hecho con otras especies de serpientes.

El año pasado nos llego una hembra adulta muy golpeada, y puso 16 huevos pero se murio al ponerlos, intentamos sacarlos y no tuvimos exito. Nos gustaria saber un poco mas de sus instalaciones para lograr hacer algo similar al exito reproductivo que ustedes tienen.
ademas nos gustaria saber que recomendaciones en cuanto a las desparacitaciones de los animales silvestres y en la forma en que se deben preparar para la reproduccion.

Espero nos puedan ayudar , cualquier comentario va ser muy valioso para nosotros.

Rodolfo Vargas

Rodolfo, 

A vermifugação dos animais é um dos principais pontos para qualquer tentativa de reprodução em cativeiro. A natureza só dá esta chance reprodutiva aos animais mais aptos. Os frageis que conseguem engravidar normalmente morrem durante ou logo após a gestação. Há pelo menos 6 tipos de parasitas que acometem Lachesis no ambiente natural tropical, e qualquer esquema de vermifugação deve visar eliminar estes 6 grupos: Strongiloides, Coccidia, Ascaris, Trichomonas, Cestodes, Pentastomideos, além das Amebas e Giardias 

Seguimos o CONSAGRADO esquema de Dallas (Boyer e cols.), que na decada de 80 foram os primeros a conseguir reprodução consistente do genero em cativeiro. Este esquema está explicado em detalhes na pagina 162 deste artigo:

http://www.lachesisbrasil.com.br/download/BulChicagoHerpSoc_Vol43Num10pp157-164%282008%29.pdf

Sou muito pessimista quanto ao futuro da Lachesis da Mata Atlantica, na costa leste brasileira, que enfrenta 93% de destruição de habitat. Sei que na Costa Rica a situação não é muito diferente. Trabalhos como os nossos podem fazer a diferença para o genero.

Se eu puder ajudar mais, por favor é só falar. Desculpe pelo Portugues, se não estiver claro podemos nos comunicar em Ingles.

ABAIXO UM RESUMO PRATICO


Atenciosamente,

Rodrigo



Ovos de porocephalus não infectam diretamente outras cobras que entram em contato com fezes contaminadas. È necessario um hospedeiro mamifero, onde as larvas se desenvolverão. Daí a necessidade de ou oferecer ratos congelados a 3 meses, e portanto livres de parasitas viaveis, ou em se oferecendo ratos vivos, meu caso, manter o bioterio sob controle com ivermectina de 6 em 6 meses: Imovec, 1 ml no bebedouro dos ratos com 100 ml de agua. Para as cobras, para quem tem dificuldade em dosar e obter as drogas citadas no artigo, recomendo que se vermifugue todos os adultos com 1/4 de comprimido de Canex Premium (com ivermectina, para cães até 10 Kg) à cada 6 meses, porque uma vez instalados no pulmão de Lachesis, estes bichos só saem vivos com remoção endoscópica. Se a vermifugação matá-los já instalados no pulmão, é provavel que ocorra uma pneumonite, que evoluirá para pneumonia e morte do animal. Com a palavra uma especialista, em comunicação pessoal: "O Porocephalus ainda é um grande problema em animais que não possuem traquéia pulmonar. Em animais com traquéia pulmonar (a maioria dos viperídeos e alguns colubrídeos) voce pode administrar vermífugos como  a ivermectina (não dê para colubrídeos) e fenbendazole.  O parasito morre e o animal consegue expulsá-lo para fora, sem ficar asfixiado. Dificilmente um animal com traquéia pulmonar vai reter este parasito morto no pulmão. Em animais sem traquéia pulmonar (boídeos e alguns colubrídeos), depois que o Porocephalus  morre pode ocorrer uma retenção no pulmão causando pneumonia ou o animal pode tentar expelir o parasito. Como o percurso do pulmão até a glote é grande, se existirem mais de um Porocephalus ou se o animal for pequeno (com um diâmetro da traquéia pequeno), pode ocorrer obstrução traqueal, a serpente vai apresentar dificuldade respiratória e vai acabar morrendo por asfixia. O mais correto a ser feito em animais que não tem traquéia pulmonar é realizar um exame radiológico para constatar a presença deste parasito e, posteriormente, fazer uma retirada cirúrgica ou retirada com auxílio de um endoscópio" (Dra. Kathleen Greco)



Necropsia no Nucleo Serra Grande: pulmão normal, sem congestão, apropriado para trocas gasosas sem esforço. Coração tambem de ótimo aspecto.

Necropsia no Nucleo Serra Grande: pulmão congesto, repleto de vermes adultos, que ao morrerem provocaram 'reação de corpo estranho' e pneumonite (inflamação pulmonar) seguida de pneumonia (infecção bacteriana no sitio da inflamação), levando o animal a insuficiencia respiratoria e morte. OU SEJA, não se pode esperar para vermifugar, se a cobra cheia de parasitas no pulmão receber anti parasitarios, morrerá. O segredo é rotina semestral na medicação: tanto todas as cobras quanto bioterio, o que impedirá em parte as infestações maciças, que são no fundo, incontrolaveis.

E CONCLUINDO, fico com o mais importante hemoparasita das cobras segundo Wosniak, o hepatozoon. Veiculado por algum artropode, pode acometer até 56% da serie vermelha do sangue do animal, provocando anemia. Há pelo menos três especies de hepatozoon infectando cobras no Brasil. Colhi e remeti sangue de Lachesis selvagens para o Dr. Reinaldo José Silva, da Parasitologia da UNESP de Botucatú. Achamos  hepatozoon no interior de algumas celulas, confira abaixo um 'tripanossominha' em volta do nucleo da célula no centro das imagens clicadas por Dr. Reinaldo. A evolução clinica dos animais tem sido benigna, ainda bem, pois eu não saberia como tratar mais este fator complicador para a fragilidade do genero.



CONTROLE PARASITARIO, é o grande desafio do CONFINAMENTO ÉTICO. Com as rotinas acima descritas, é possivel manter-se cativos, sem stress e em otimas condições fisicas, e portanto reproduzindo-se, animais de grande porte como Lachesis.

Para entender em 2 minutos como o NSG chegou a esse protocolo, em 10 anos, acesse a viagem fotografica abaixo:

http://www.lachesisbrasil.com.br/galeria_nsg_en.html