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sábado, 22 de outubro de 2011

Retirada de ovos da fêmea, ou do casal



O leitor do blog Gustavo pegunta sobre o porque da necessidade de se retirar os ovos da fêmea, e se isso não é perigoso.

Retiro os ovos da fêmea porque não tenho como oferecer aos ovos a segurança que uma verdadeira galeria de paca ou tatu ofereceria. Estas galerias são sítios naturais da postura. A fêmea passa meses escavando, alargando o que o mateiro chama de 'panela', que é o local onde ela permanecerá enrodilhada sobre os ovos. E sim, a rugosidade em Lachesis tem função escavatória, também. Para facilitar, crio uma 'panela' para ela no final do túnel. Essa 'panela' tem uma tampa, que removo para avaliar os animais, e retirar ovos. Mas pode ocorrer a postura de ovos no corredor, e aí a dificuldade (e perigo) é grande. Na primeira foto do link abaixo uma 'panela' com tampa levantada e ovos:

http://www.lachesisbrasil.com.br/download/BulChicagoHerpSoc_Vol42Num3pp41-43%282007%29.pdf

Meu método de incubação é ditado pela Mata Atlântica  Os ovos ficam na floresta, que determina temperatura e umidade. Repare nas fotos abaixo que logo que tenho um conjunto de ovos formado, selo o recipiente contra ataque de moscas. Se expostos, os ovos não emplacam 5 dias. Nas profundas galerias isso não ocorre: insetos não voam para o escuro.

A fêmea permanece com ovos para protegê-los de pisaduras de paca e tatu  alem de investidas de teiús. Em todas as reproduções do NSG, o macho também permaneceu com ovos. Pode haver componente de higrorregulação nesse comportamento.

E se é perigosa a remoção dos ovos a resposta é sim. Talvez o pior momento no manejo. Se os ovos rolarem, perdem-se. Se você vacilar, pode se acidentar feio. Mas esta é a unica forma em que ocorreu reprodução em cativeiro do gênero Lachesis no Brasil...


Esta é a visão do desafio...

que tenho deste ponto de vista....


.... e retirar nesse contexto, um, cinco, dez ou mais ovos, e viver para contar, só se faz com calma tempo e pratica, conhecendo o comportamento do animal, e o momento de avançar ou recuar....


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sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Picos Verruguinha e Carapuça, Brasil



Ontem foi o aniversario de 9 anos de Luquinha meu filho, reparei nele fazendo a seguinte conta, com toda a sua pureza: "Você está com cinquenta Papai, deve morrer com uns 80, então temos mais uns 30 anos pela frente". "Com muita sorte" pensei.

Foi da agonia dessa despedida inevitável, e da saudade antecipada, que nasceu esse nosso projeto dos picos, ficarmos juntos enquanto há tempo.

É um programa duro, difícil para corpinhos em formação, mas que será lembrado positivamente. As dores do esforço e as quebras psicológicas nos percursos, ficam num segundo plano frente ao algo maior, que foi e é a nossa aventura pela natureza, pela superação, por nossa união nessa vida curta.

À cada pico Gabriel leva uma garrafinha de água vazia, e faz o que for necessário para voltar do cume com "água original" de nascentes do cume. O souvenir é uma maneira de termos para sempre aquele local conosco, e isso diz tudo para mim. Nesse espirito fizemos mais dois picos no ultimo final de semana, o Verruguinha e o Carapuça.




Sobre o Verruguinha (1.650 mts), 6.800 mts de percurso até a base à partir do Santuário  1.300 mts de trabalho vertical. Sobre o Carapuça (1.955 mts), cerca de 6 km de percurso à partir do Santuário  90% do tempo em trabalho vertical. Observe que falo de ida. Incluindo volta, são 'passeios' de 12 a 14 km (no Canjerana foram 18 km), exaustivos. Desta vez não dormimos nos cumes, foram dois picos em dois dias. Completamos 4 dos 7.

Agora escrevendo sobre este último final de semana (01 e 02/10), lembro-me primeiro de quando o mato alto quebrou forte e houve uma disparada de animal grande em fuga, a uns 10 metros à frente e à minha esquerda. Estava no campo na Bocaina aos pés do Verruguinha, no percurso de volta, com Luca sentado sobre meus ombros, e com visão periférica excepcional. Eramos os últimos da fila, Ana, Gabriel e João Julio já tinham passado por este local. Do seu ponto de vista, bem mais alto que o meu, Luquinha não teve duvida: "Suçuarana Papai, nunca achei que fosse ver uma..." e seguiu gesticulando e descrevendo agitado a coloração ('amarelona Papai, quase laranja...'), o porte, a forma agachada da evasão, afastando de forma convincente a possibilidade de termos presenciado uma corrida de anta. Perto dali João Julio relatara ter ouvido os sons do acasalamento dos grandes felinos. No dia seguinte, bem alto no Carapuça, deparo-me com a melhor pegada de suçuarana que já vi, também descoberta por João Julio (a foto ficou péssima).

E falando de João Júlio, um aparte sobre os Guias e guias: no percurso de ida para o Verruguinha, paramos para abastecer-nos de água e energia nesse ponto abaixo...




Poucos minutos depois dessa foto, vozes, e chegam ao local duas pessoas, desistindo do Inficcionado sem ao menos atingir o primeiro plateau. Um guia (desconhecido) e seu cliente, dentista de Viçosa. O solado do calçado inapropriado soltara-se por completo de ambos os pés do sujeito (cliente). Fizeram perguntas que demonstravam total desconhecimento e despreparo. Entrariam fácil em trilha de anta perdendo-se naquele pico dificil.  Por sorte foram protegidos de sí mesmos pela Providencia. Aqueles pés descalços no alto do Inficcionado pediriam resgate certo. Nós, que tínhamos Guia, assistimos a João Julio pegar na mochila silvertape e superbonder para reconstruir-lhe as botas, e recusar uma ofensiva gorjeta em especie ao termino do serviço. Nem com "Irmandade das Montanhas" o inocente era familiar. Tudo muito triste, mas fático.


Seguimos em frente por áreas de mata, campos de samambaiuçu, até as paredes....





A uns 20 minutos do cume (rocha maior acima), Luquinha ficou descansando sob guarda da Ana Paula, enquanto fazíamos a abordagem do cume do Verruguinha, de onde Bibo raçudo sorri, e preenche anotações....





                             video


Na sequencia a nascente do Rio Caraça, para que Gabriel completasse mais uma garrafinha de sua coleção de 'água original dos picos'...



video


Pouca gente conhece o cume e os paredões do Verruguinha, e nesse raciocínio  creio que ninguém conhece aquela montanha POR DENTRO. Luquinha e Bibo conhecem, ficaram completamente alterados e transtornados quando encontramos uma fenda na rocha e decidimos entrar uns 50 metros adentro. Nasceram para a espeleologia e exploração, coisa inata, que está no sangue.








João Julio teve esse sonho segundo o qual seria uma criança a primeira pessoa a encontrar pinturas rupestres no Caraça. Impressionados, Luca e Bibo partiram para a analise minuciosa das paredes desta gruta, e em nada encontrando, partiram para o lado que lhes é mais caro, o da Biologia. Esgueirando-se em fendas localizaram esta perereca e este sapo minusculo, moradores da escuridão total e que interessam à ciência. Em reunião rapida, decidimos deixá-los onde estavam, livres, e longe dos baldes de formol.

Lembrando do incêndio de poucos dias atrás, não tinha noção exata do que iriamos encontrar nesta ida ao Caraça. FORAM DOIS MIL HECTARES QUEIMADOS, e a Vale do Rio Doce, que gasta milhões em marketing institucional conservacionista, e que lavra do lado da reserva de onde veio o fogo, não contribuiu com um único homem para ajudar a combater o incêndio  Nem Vale nem SAMARCO. Ajuda zero. Já a Anglo Gold ajudou, e muito. O consolo, se há algum, reside só na capacidade de regeneração da natureza, caso contrario não teríamos Canelas-de-Ema fabulosas como esta do Verruguinha, com mais de 600 anos de vida, e certamente vivencia de outros fogos...





Bom, o post precisa acabar, tenho que comprar o presente de Luquinha com ele mesmo e agora, é promessa, e então finalizo com a joia do dia seguinte, o Carapuça...




                         Sua proximidade ao Santuário é enganadora, exige muito fisicamente....





O Carapuça vale cada palmo da subida, e quando se pode finalmente descansar, a vista do Santuário em miniatura dá uma noção do quanto fomos exigidos...




Falar de durezas, exigências e dificuldades aqui é algo que me desce mal. Duro é a vida não vivida, é não poder seguir o coração. Teve lagrima sim no Verruguinha, mas e daí ?



Junto com choro (clique sobre essa foto e verá a lagrima) teve onça, caverna, curiosidade, saúde, estarmos juntos. Teve vida como se fosse meu ultimo dia, como nos lembra Jobs no inicio desta postagem.



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