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sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Os essenciais 6 - Antonio Argôlo, Aníbal Melgarejo, Marcelo Duarte e Wilson Fernandes



Tenho enumerado como essenciais aqueles que de alguma forma contribuíram para que o NSG se transformasse no projeto minimamente sólido que é hoje, "uma questão estratégica para o País", nas palavras da Diretoria de Imunobiológicos da Fundação Ezequiel Dias de Belo Horizonte.

Confira: http://lachesisbrasil.blogspot.com.br/2011/03/fundacao-ezequiel-dias-de-belo.html 

Aqui comento os essenciais ao avesso, gente que sempre procurou nos destruir, mas que ao final, foram grandes motivadores. É que cresço na adversidade.

Procurei Antonio Jorge Suzarte Argôlo na Universidade Estadual de Santa Cruz, em 2003, reverencialmente, como que chegando ao Papa. Atitude humilde frente ao homem das ciências e pompas, que mais tarde ele consideraria fragilidade minha. Pensava que me tinha na mão, como veremos adiante.

Eu pedia ajuda para deter o massacre da unica cobra brasileira que em 1988, na lista oficial do Ibama, constava como "em extinção": Lachesis muta rhombeata. Morando em Itacaré, medico do SUS com acesso á zona rural, havia me colocado como alternativa ao abate e as remoções de bicho vivo tomavam porte inesperado. Fui com Argôlo ao escritório regional do Ibama de Ilhéus fazer uma auto-denuncia ao Dr. Sergio Ramos. Saí de lá como "Fiel Depositário" do plantel inicial do NSG.

População, policias Militar e Civil, todos aderiram ao não abate. Assistir minhas remoções era divertido para o publico sempre numeroso, meio que coliseu romano. Um senhor que me viu embolado com uma grande surucucu na Pituba comentou preocupado "o doutor sabe que bicho é esse ?" Ja a sucuri foi removida do centro de Itacaré, com mais de 500 expectadores uivando em volta, numa sexta à noite de Carnaval. Descera o Rio de Contas num galho, encalhou na praia. Ibama não respondeu, Bombeiros idem, CRA idem.

2 da manhã sirene na minha janela.  PM. Avelino: "é Doutor, essa é meio grande, mas veja o que dá para fazer, nem Ibama nem Bombeiros vão vir..." se não vamos ter que matar". Sobrou para mim. Foi um marco no trabalho. Virei referencia para resgate informal de fauna. Parceria espontânea 'poder publico - um civil - sociedade' pró-fauna, num ambiente tradicional e atavicamente pró-abate: 'cobra boa é cobra morta'.


A magnifica Eunectes murinos daquela noite. Houve uma segunda deste porte no Villas de São José, e dezenas de filhotes na reversa de mare da Cabana Luzitania. Nenhum animal abatido. Todos realocados em área seguras, abaixo do Rio Tijuípe.



















Certo dia recebo em minha casa um telefonema de Argôlo. Queria que eu mandasse "umas três" Lachesis vivas para o Butantã. Arrematou dizendo que "teria outras formas de fazer valer sua solicitação" mas que inicialmente estava fazendo um pedido, em nome do amigo poderoso, o Wilson Fernandes. Fui então claramente ameaçado: "haviam outras formas" de se conseguir retirar animais de Serra Grande, "ação politica de bastidores", pensei, mas sob ameaça, eu travo.

Pedi então ao autor da solicitação que o fizesse por escrito. Pouco tempo depois recebo a carta de WF. Respondi dizendo que o veneno que eles quisessem estava na mão, se o Ibama autorizasse as extrações. Mas bicho vivo não. Minha condição de "Fiel Depositário"  impedia as remessas, mas no fundo o que eu temia era o péssimo histórico do centenário Butantã na manutenção em cativeiro do gênero. Cento e dez anos de existência, recebimentos e resgates aos milhares, nenhum bicho vivo, nenhuma reprodução em cativeiro.

Não aprenderam que Lachesis é delicada até hoje. Não se sentem na necessidade de aprender com Mané: medico, nordestino, outsider na herpetologia.

Aqui http://www.lachesisbrasil.com.br/documentario.html  a brutalidade na manipulação num alemão, e que explica, em parte, plantel zerados para o gênero.

Iniciou-se neste ponto, 'do nada', uma nova linha de ação: calúnia associando-me a venda ilegal de veneno, numa tentativa clara de levar-me ao descrédito  Em 26 de abril de de 2006 enviei o seguinte Email a WF:

"Sr. Wilson Fernandes,

Duas fontes distintas nesta ultima semana, um Biólogo e uma Jornalista,me disseram que o Sr. se referiu à minha pessoa como alguém que "VENDE VENENO".

Isto posto,gostaria de saber se o Sr. confirma esta declaração e em confirmando,se o Sr. pode prová-la e se a confirmaria em Juízo.*

*Cópia para Dr. Francisco Carrera e Advogados Associados.

Do Núcleo Serra Grande de Reprodução em Cativeiro de Lachesis muta rhombeata jamais saiu uma gota de veneno, ou qualquer outra forma de comércio envolvendo Lachesis, e você está desafiado a provar o contrário, ou então termine com essa campanha difamatória irresponsável.

Paradoxalmente, Marcio Maruyama do Instituto San Maru, diz que já comprou veneno de Lachesis do Sr., mas que agora a coisa "anda escassa".

Seria esta escassez o motivo deste súbito interesse por reprodução em cativeiro de Lachesis ? Vocês tiveram mais de CEM ANOS para tentá-lo, só de Tucuruí vieram algo entre 130 e 180 animais, como se explica que hoje vocês não tenham um único animal ?

Um dos motivos para esse fracasso absoluto pode ser perfeitamente avaliado no vídeo da TV alemã, DocTv (tenho cópia), do qual faço parte. A sua manipulação das duas Lachesis recém chegadas de Rondônia, nos 15 minutos iniciais do vídeo, é totalmente inadequada.

Apesar de julgar-se no topo do conhecimento (acadêmico), vocês não tem a menor noção da anatomia / fragilidade do Gênero, tratando-o como se tivesse a rusticidade de Bothrops. Não se usa laço em Lachesis, não pode haver contensão prolongada, não se pode simplesmente jogar o animal no meio de um monte de outras cobras ao termino do procedimento.

Quem realmente lida com o bicho costuma dizer que trata-se de "uma flor mortal, mas uma flor", mas o pior disso tudo é que vocês não se julgam em posição de aprender, ainda mais de um João Ninguém como eu. Mas o fracasso vai se perpetuar enquanto vocês continuarem vendo o animal como uma fonte de veneno e só.

Acompanho de perto sua movimentação traiçoeira, endossada pelo Marcelo Duarte, no sentido de fazer uma partilha de animais do Núcleo Serra Grande. Movimentação politica de bastidores. Sei que as duas surucucus de Rondônia morreram em menos de 2 meses em suas mãos, que de Tucuruí não sobrou nada, e estes bichos que removo de enfrentamentos com o povo, com enorme risco pessoal não terão este mesmo fim.

Hoje é mais fácil o Sr me ver preso como infiel depositário que enviando-lhe / cedendo-lhe animais. Há paixão e compaixão no que faço. Não sou nem de longe o inescrupuloso que você quer pintar em contatos como o com a Jornalista e o Biólogo.

Gostaria de lembrá-lo que há na Instituição Federal CEPLAC de Ilhéus, nesse momento, umas 13 Lachesis, algumas bem jovens. Estão lá em caixas de vidro individuais, sem toca, com colegiais o dia todo batendo no vidro para "ver bote", sem abrigo da luz do dia.

As caixas são de 60 cm de largura por 1 mt de altura por 60-80 de fundo. Como vocês nunca se preocuparam com reprodução em cativeiro, nunca colocaram os bichos aos pares. É confinamento absolutamente anti-ético e inadequado à espécie. Qual o sentido disso ?

Canalizem sua "força politica" para esse plantel, e não para um trabalho que está ganhando dimensão mundial, como posso provar.

É profundamente lamentável que as coisas tenham chegado a esse nível de deterioração, calúnia e injúria, mas já me haviam alertado que o meio não era de "anjos".

Como médico e cidadão estarei sempre aberto à ceder o material necessário para a produção de soro, mas não na ingenuidade de antigamente, quando ofereci a você veneno de graça, se o Ibama autorizasse. Só há espaço agora para um relacionamento comercial, caso necessitem de algum aporte do NSG para suas atividades.

Termino como comecei, pedindo que se atenha aos fatos, e que não nos force a interpelá-lo judicialmente"


Não ouvi mais comentários, e ficou por isso mesmo.

Marcelo Duarte também do Butantã, aqui esteve pouco antes deste "pedido" do Argôlo / WF. Foi recebido de braços abertos no NSG (vide mesmo vídeo citado acima). Era só sorrisos. Voltou para SP detonando nosso trabalho, e animadíssimo com a futura 'partilha do plantel'. Amigos que trabalham no Butantã me informaram. Um que não trabalha lá, mas que é da área, num Email de 2006 relata:

"Dr. Rodrigo, eu tenho um amigo la dentro do Butantan e todos sabem que eles querem dividir seus animais, me desculpe escrever aqui uma risada: hehehehehe mas a briga já é entre Vital e Butantan, o Wilson quer seus animais, o Aníbal quer também e afirma ser o único realmente capaz para estar mantendo esses animais em cativeiro, eles brigam entre si para ver quem vai ficar com os animais do seu criatório"

Marcelo Duarte confiava, corretamente, na grande força politica do maior produtor de soros e vacinas da America Latina. 'Corda arrebenta para o mais fraco' pensei, e corri para Dr. Francisco Carrera, renomado Advogado Ambiental do Rio de Janeiro e ingressamos com ação na Justiça Federal de Ilhéus, tornando-me "Fiel Depositário" do plantel do NSG, desta feita, também na Justiça Federal. Agora a luta estaria mais igual.

Pouco depois da minha negativa ao WF, Argôlo partiu para o revide, denunciando-me ao Ibama por uma evolução de plantel informada a ele por mim mesmo. Dr. Carrera novamente acionado. Mais gasto.

O próprio Chefe do Escritório do Ibama de Ilhéus à época, Dr. Sergio Ramos, considerou aquela autuação, em suas palavras, como uma "grande falha de comunicação", visto que há períodos certos no ano para atualização dos números de plantel, a chamada "renovação de CTF", normalmente de janeiro a março de cada ano. Lamentou não ter tido tempo para evitar o ocorrido, pois uma vez lavrada a papelada, 'já foi'. Não Dr. Sergio, agradeço, mas não foi 'falha de comunicação', foi vingança mesmo. Pegou mal com o 'Chefe' WF eu não mandar bicho. Achou que me tinha na mão, não tinha. E deu o troco.

E vingança logo dele, que há 10 anos espalhava baldes de formol na região cacaueira pagando a peãozada para encher o balde com tudo o que rastejasse, e dando o azar de ter entre suas 'equipes de coleta', alunos que mais tarde ingressariam no Ibama. Testemunhas oculares. Milhares e milhares  de cobras mortas podem ser vistas em sua "coleção cientifica" numa sala no térreo da UESC, que por sinal visitei e fotografei. Tonéis plásticos de cor cinza de tampa preta, destes que os produtores rurais usam para estocar leite, com capacidade de uns 50 litros de formol ou mais, e abarrotados de surucucu, vi uns seis.

Saiu da CEPLAC pela porta dos fundos, acusado de "desvio de animais vivos e mortos de Coleção Federal", para a sua, particular, supra citada. Funcionários do então RAN, em visita ao NSG e de passagem pela Ceplac, em 2005, colheram um testemunho interessantíssimo, sobre o misterioso destino das Bothrops pirajai da Ceplac. Há um vídeo recente, do segundo semestre do ano passado eu creio, feito do celular de uma importante autoridade da Ceplac, aparentemente demonstrando que a pratica ainda existe, com aliciamento de funcionários, antigos colaboradores.

Certo dia um amigo me enviou uma interceptação acidental de messenger, ou MSN, entre Argôlo e Aníbal Melgarejo (IVB), em que Argôlo lamenta uma matéria do "Fantástico" feita por Dener Giovanini, do RENCTAS, no NSG. Na conversa, refere-se a mim como "a surucucu mineira que invadiu SEU território, modestamente chamando o Baixo Sul baiano de um feudo seu.

Voltando ao tal MSN, nele, Argôlo queixava-se de que a matéria do Fantástico não contemplava a coleção Ceplac: cobras de 2 mts, em caixas de vidro de 1 x 1 mt, sem toca, num prédio quente, tolerando colegiais o dia todo batendo no vidro, 'para ver bote', e vivas graças e tão somente à competência e paixão do Meu Mestre, José Abade:

Conheça o Mestre: http://lachesisbrasil.blogspot.com.br/2010/12/os-essenciais-2-jose-abade-da-ceplac.html

... e voltemos à plebe, e ao tal MSN interceptado, abaixo:



AntônioJorge:

Olá Anibal. Preciso lhe atualizar sobre uma certa surucucu "mineira" que
invadiu a minha região
. Uma hora dessas apareça no msn, ok? Abração!!



26 Fev




Antônio Jorge:

Anibal, necessitamos que leia o meu email sobre o "caso" surucucu e se
pronuncie
. Abraços.



1 Fev




Antônio Jorge:

Anibal, não deixe de responder ao email que lhe passei hoje. Estarei no
Butantan
até o dia 10 de fevereiro
. 29 Jan



Antônio  Jorge:

Anibal, caríssimo amigo. Como viu, infelizmente eu estava certo em minhas apreensões. Que coisa mais decepcionante, frustrante e lamentável aquela matéria. Como sabe, escrevi um livro apenas sobre serpentes em cacauais. Depois publiquei um artigo mostrando porque existem tão poucos acidentes pela nossa pico-de-jaca*. Ambas as publicações foram absolutamente negligenciadas. A própria Ceplac, empresa que cuida dos interesses da lavoura cacaueira e que tem um serpentário com o maior plantel institucional de Lachesis, sequer foi mostrada. Que gafe jornalística mais grosseira*. Não sei o que dizer ... apenas lamentar que, pelo menos por um bom tempo, o que foi veiculado na matéria do "Fantástico" continuará sendo a verdade para boa parte da população brasileira. Abraços. 23 Jan


*Comento: o tal 'artigo' é uma revisão de prontuários médicos de um pronto socorro de Ilhéus onde eu fui Cirurgião de Trauma, substituindo Dr. Rabat. Resumindo é mais ou menos isso: em cerca de 600 casos de ofidismo, uns 2 por surucucu. É trabalho irrelevante. O fato de que não há Crotalus na região, e assim só se distribua no Baixo Sul o soro anti botrópico-laquético, faz com que o socorrista não se atenha á anamnese como deveria, pois há um bilhão de pacientes por atender nas Emergências cronicamente super lotadas do SUS, e independentemente da cobra o soro será o mesmo. Raciocínio infeliz mas é o que acontece: o soro pode ser o mesmo, mas o tratamento não é.  Volta e meia alguém paga pela negligencia: um paciente recebeu alta no segundo dia do acidente, e morreu em casa no terceiro, no povoado de João Alfredo BA, por AVE.  No ano de 2009 somente, até outubro, os dois casos de ofidismo que chegaram á Fundação Hospitalar de Itacaré foram por Lachesis, o primeiro envolvendo gravida. No segundo, Dr. Teobaldo apareceu na minha casa de noite em busca do soro que sempre mantenho por segurança, cortesia FUNED. Ambos escaparam. Médicos e pacientes se enganam FREQUENTEMENTE na classificação das cobras, nosso trabalho deste momento redigindo o Manual do Ministério da Saúde para animais peçonhentos visa isso também  facilitar a distinção entre os acidentes botrópico e laquético, basicamente pela clinica.

Quem tiver interesse em conhecer o acidente laquético minuto a minuto, favor acessar o link abaixo:

http://www.lachesisbrasil.com.br/download/BulChicagoHerpSoc_Vol42Num7pp105-115%282007%29.pdf


QUANTO Á 'GAFE JORNALISTICA' NÃO SERÁ UM VAIDOSO ENCIUMADO A JULGAR O TRABALHO DE DENER GIOVANINI, MAS O PRÓPRIO PÚBLICO, COISA QUE CONVIDO-OS A FAZER AGORA NO LINK ABAIXO, QUE CONDUZ À TAL MATÉRIA DO 'FANTÁSTICO'. APROVEITEM PARA VER MAIS RELATOS DE VITIMAS DE LACHESIS, 'INEXISTENTES' NOS PRONTUÁRIOS.  PARA OS QUE TEM DUVIDAS DA AGRESSIVIDADE DO VENENO EM HUMANOS, ATENÇÃO ESPECIAL À FALA DE 'TUREBA', EM 5 MINUTOS UM TOURO DE HOMEM CAÍDO - HIPOTENSÃO - VOMITANDO SANGUE, E INCAPAZ DE ENGOLIR, COM SUA 'GARGANTA TRAVADA', PEDINDO PARA TIRÁ-LO DALI  PARA SUA MULHER E FILHOS PEQUENOS NÃO O VISSEM MORTO ... 

https://www.youtube.com/watch?v=YTitbs5Gw4Y

Sobre a questão da 'DL 50', ou quantificação da potencia de um determinado veneno, no laboratório, confira:

http://lachesisbrasil.blogspot.com.br/2013/09/a-mais.html


E finalmente, quanto ao livro das serpentes nos cacauais do dono do Baixo Sul da Bahia, uma tese acadêmica de 2004, pessoalmente acho um tédio, e a baixa vendagem (uma edição, 2004-2011) indica que não estou sozinho na percepção. Qualquer um que quiser referencia rigorosamente correta, ágil  ilustrada sobre serpentes brasileiras e do nordeste em especial, no formato 'manual de campo', deverá buscar os trabalhos do Dr. Marco Antonio de Freitas, na Editora USEB, ou diretamente com ele via Email: philodryas@hotmail.com  Tenho todo os seus livros, uso e recomendo. Os capítulos de Lachesis tem contribuições minhas.

Concluindo sobre este MSN tão revelador, chamo especial atenção aos leitores da singeleza que é Argôlo escrevendo do Butantã (Wilson e Marcelo) para Aníbal, isso sim é um 'alinhamento de forças'.


Mas retomando o texto, Dr. Dener Giovanini me disse que até tentou, mas achou os animais da Ceplac tão letárgicos e o confinamento tão anti-ético, que não conseguiu filmar aquilo lá para "O Brasil é o Bicho"

O Ibama fechou aquele circo em 2010. Acabou visitação. Numa reunião anterior com a Direção Ceplac, Dr. Djalma Ferreira colocou clara a disposição do Ibama em acabar também com a farra de extrações de veneno ilegais que ocorriam a rodo por lá. E a grande tragedia: Abade não mais cuida das cobras. O que vi lá recentemente após a saída do Abade me fez / faz pleitear junto ao Ibama e a Ceplac, o envio daqueles animais ao NSG para recuperação: mudas de pele 'encroadas' (aderidas), parasitismo, falta de vermifugação, emagrecimento e mortes. Não sobrará uma unica se não atuarmos rápido.

Quer mais ?

O site "O Eco", respeitadíssimo, certa vez fez uma matéria sobre Lachesis intitulada "Prontas para Adoção", na qual apontava a diferença de resultados entre o Núcleo Serra Grande, e 'a penúria dos grandes institutos', com relação à manutenção de surucucus em cativeiro.

Confira a matéria: http://www.oeco.com.br/reportagens/1590-oeco16673

O Sr. Aníbal, do MSN supra citado, sentiu-se ofendido pela matéria, e em seu 'direito de resposta' inicia o texto chamando-me de 'criador ilegal' e insinuando relações minhas com trafico internacional de animais.

Eu, "Fiel Depositário"  tanto do Ibama quanto da Justiça Federal, tapando buraco de uma omissão do Estado em resgate de fauna, acusado desta maneira, e de forma gratuita.

Respondi à altura, mas uma questão ainda me intriga: Argolo comandava o serpentário Ceplac, autorizava Aníbal a fazer extrações em 12-16 Lachesis adultas (de 20 a 40 ml ou mais de veneno bruto), que eram em parte vendidas ao Instituto San Marú, de SP. Só para dar-lhes uma ideia destes números, a Fundação Ezequiel Dias de Belo Horizonte, segunda maior produtora nacional de soros e vacinas gasta, em hum ano, de uma a duas gramas de veneno de Lachesis para seus trabalhos: de 2 a 4 ml (dois a quatro ml/ano) de veneno bruto. O que credenciava estes Senhores a posar de tal forma como paladinos da moralidade ? Certeza da impunidade pelos seus PhD ? Será que conhecem o fenômeno psicológico da "projeção", que é ver no outro aquilo que se traz internamente, no caso especifico, a fraude ?

Sei que a farra das extrações na Ceplac continuava até o ano passado. Muito veneno seguiu para SP e Ribeirão Preto, sem o devido tramite de autorizações do Ibama. Sei também que agora o Núcleo de Fauna do Ibama de Salvador entrou nisso, e também na fiscalização de 'coleções cientificas', ou seja, na mira das Dras. Aline, Simone e Samanta, muito dificilmente picareta vai ousar.

Concluindo, este é o florido mundo da instalação do NSG. Vaidades, gastos, perda de tempo, dinheiro, energia, risco de vida permanente.

INCAPACIDADE DE AÇÃO AFIRMATIVA, CONJUNTA, EM PROL DO OBJETIVO MAIOR, DETER A EXTINÇÃO DA SURUCUCU DA MATA ATLÂNTICA:

http://lachesisbrasil.blogspot.com.br/2014/05/mantra-para-lachesis.html 

Aqui http://www.lachesisbrasil.com.br/NSG/nsg.html  entenda onde reside a importância dos núcleos de reprodução em cativeiro ...


Concluindo, nos idos da década de 20, havia um 'posto avançado do Butantã' em Maraú, Bahia, onde o Dr. Pirajai coletava e remetia espécimes de interesse medico para SP. Outros tempos, outros homens, outra mentalidade. Certa feita, o medico enviou a SP uma grande fêmea de Lachesis, e ao abrirem a caixa, depararam-se com ela morta, junto a vários ovos maiores que os de galinha. Amaral, aparentemente desconhecendo Mole, de Trinidad, 1910, publicou então "On the oviparity of Lachesis", surpreso com a possibilidade de um viperídeo botar ovos.

Isso ilustra bem quão recente é a historia do gênero  Desconhecido a 90 anos passados. Não há de fato especialistas aqui. São todos iniciantes. Essa é a consciência que deveria ter regido a todos os envolvidos, levando a uma soma de cooperações.

Mas falhamos.

PS: abaixo uma pequena amostra do que enfrentamos aqui na região, a dita "pressão antrópica", que levou ao surgimento do Núcleo Serra Grande:











3 comentários:

  1. Impressionate. Conheço bem esse pessoal todo, e confirmo tudo e muito mais. Tenho seu email dos artigos. Farei contato, caso o Sr. precise de mais dados ou depoimentos, é só acionar.

    parabéns

    D

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  2. Estou pasmo, mas tudo o que li aqui é uma verdade de salta aos olhos diante de um meio tão alienado e que usa os títulos acadêmicos como escudo de idoneidade! Sei bem do que se trata nestas coisas erradas, e existem bem mais testemunhas oculares por aí do que você Dr., pode imaginar. E eles também.
    Admiro sua coragem, de enfrentar tudo isso e continuar enfrentando. Parabéns.

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  3. Nossa Rodrigo Vc tem coragem, meu idolo

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