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INDICE AO BLOG NSG E À BIBLIOTECA VIRTUAL LACHESISBRASIL BASEADO EM BUSCAS ESPECÍFICAS

OBSERVE POR FAVOR QUE A MAIORIA DOS LINKS SÃO AUTO EXPLICATIVOS, E CONTÉM INDICAÇÃO DE CONTEÚDO ANTES MESMO DE SUA ABERTURA: 1) SOBRE ...

domingo, 20 de maio de 2012

Um certo Capitão Guilherme e o Complexo de Vira-Latas ou, "não sabendo que era impossível, ele foi lá e fez"



No mundo, 2,5 milhões de pessoas são picadas por cobras à cada ano. 85 mil morrem. 250 mil ficam sequeladas. Trata-se sem duvida de DOENÇA TROPICAL NEGLIGENCIADA, segundo a ONU.

Confira no link um bom texto da World Health Organization (2007), com gráficos e imagens: http://lachesisbrasil.blogspot.com.br/2011/01/preto-no-branco.html

No Brasil temos de 90 a 100.000 acidentes com cobras por ano, com cerca de 100 mortes. Nos Estados Unidos de 7 a 8000 casos, com 0 a 12 mortes por ano.

De um lado a estrutura do primeiro mundo, de outro os nossos desafios.

Motivos para complexo de inferioridade ? Não. Para trabalhar permanentemente por avanços ? Sim.

Paga-se por soro e tratamento nos Estados Unidos, e quando digo 'paga-se', falo de cifras também de primeiro mundo. Melhor exemplificar com um caso que vivi de perto.

A garotinha abaixo chama-se Elly Bachman, tenho autorização de sua mãe Jennifer para divulgação de imagem.






Aos cinco anos de idade foi picada por cascavel nos Estados Unidos. Caso grave. Transporte com helicóptero, UTI, cirurgias.... abaixo cicatrizes de 3 das 5 fasciotomias que lhe salvaram a perna. Elly hoje está bem, sem sequelas, e gosta de cobras.
































A família Bachman tinha plano de saúde, mas neste plano tinham aquelas letrinhas minusculas, leoninas, excluindo isso e aquilo do tratamento, e quando acharam que o pesadelo estava acabando, chegou a conta: noventa e dois mil dólares, já abatido desta quantia o montante que a seguradora cobriria.

Esses valores são a norma nos Estados Unidos, confira no link abaixo um caso de 2015, onde se cobra do paciente 153.000 dólares por tratamento em função de picada de cascavel:

http://www.revistaforum.com.br/blog/2015/07/aviso-aos-que-atacam-o-sus-ser-mordido-de-cobra-nos-eua-pode-custar-us-153-mil/


No outro lado da polaridade, apresento abaixo um caso ocorrido em Guanhães, MG, à poucas horas de Belo Horizonte. Foi um dentre uma série de casos de acidente botrópico tão atipicamente graves, na mesma área, que chegou a ser formado um grupo de estudo para avaliar se não havia ali em ação um veneno diferente. A Fundação Ezequiel Dias chegou a ser envolvida, houve discussões do Hospital João XXIII, mas creio que as conclusões se encaminharam para má conservação do soro.
































Volto à questão dos avanços necessários ao terceiro mundo para enfrentar o ofidismo. Não gosto nem de pensar na situação da Africa, onde um frasco de soro importado custa 100 dólares, e usam-se 12 em média nos tratamentos. Somos vanguarda na produção do soro, mas há a questão da logística e infra estrutura: como distribuir, como armazenar corretamente, e como viabilizar o acesso do paciente à medicação e tratamento correto e gratuito ? Pense no sujeito tomando uma picada de surucucu nos confins amazônicos, em áreas de difícil locomoção e sem energia elétrica confiável para a perfeita conservação do soro entre 6 e 9 graus. Fica aqui uma questão:







E concluindo a questão dos avanços necessários ao terceiro mundo, nosso mundo, passo à estratégia da qualificação do material humano, em especial daquele que está na ponta, atendendo ao acidentado.

Guilherme Reckziegel é um Médico Veterinário (incansável) que coordena o grupo de trabalho responsável pela revisão do manual de diagnostico e tratamento por animais peçonhentos do Ministério da Saúde, o texto que determinará condutas medicas em momentos de vida ou morte ou sofrimento extremo, Brasil afora. Enorme responsabilidade, mas a qualidade do trabalho do time escalado por Capitão Guilherme é tranquilizadora:



CAPÍTULO
UF
NOME
INSTITUIÇÃO / ENDEREÇO
Capítulo 1. Introdução Geral (objetivo do manual): grupo dos 5 editores associados e GT-Peçonhentos/SVS.

Capítulo 2. SINAN: GT-Peçonhentos/SVS.

Capítulo 3. Epidemiologia geral: grupo dos 5 editores associados e GT-Peçonhentos/SVS.
SVS
Daniel Nogoceke Sifuentes
Secretaria de Vigilância em Saúde – SVS
Tel. (61) 3213-8151 / 8150
Cel. (61) XXXX.5861
Fax. (61) 3213-8244
Capítulo 4. Soroterapia antiveneno (AV)
SP
Fan Hui Wen
Hospital Vital Brazil, Instituto Butantan
Laboratório de Artrópodes
Tel. (11) 3726-7222 Ramal. 2209
Cel. (11) XXXX-1212
SP
Fábio Bucaretchi
Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp
Tel. (19) 3521-7437
Fax. (19) 3521-8873
Capítulo: Identificação de Serpentes
GO
Nelson Jorge da Silva Jr.
Departamento de Biologia, Universidade Católica de Goiás
Tel. (62) 3278-4355 (Empresa de consultoria)
(62) 3946-1346 (Universidade)
Cel. (62) XXXX-9665
SP
Giuseppe Puorto
Instituto Butantan, Museu Biológico
Tel. (11) 9975-3014
RJ
Aníbal Rafael Melgarejo
Instituto Vital Brazil
Chefe da Div. de Zoologia Médica
Tel. (21) 2711-9223 – Ramal 180
Cel. (21) XXXX-6782
Capítulo: Botrópico
SP
Francisco Oscar de Siqueira França
Hospital Vital Brazil, Instituto Butantan
Tel. (11) 3726-7962 (HVB)
Tel. (11) 3069-6397 / 6530 (HC)
SP
João Luiz Costa Cardoso
Hospital Vital Brazil, Instituto Butantan
Tel. (11) 3726-7962 (hospital)
(11) XXXX-3181 (casa)
PA
Pedro Pereira de Oliveira Pardal
(enfoque na Amazônia e nordeste)
Núcleo de Medicina Tropical, Universidade Federal do Pará
Tel. (91) XXXX-3922
MG
Délio Campolina
CIT, Hospital Pio
Tel. (31) XXXX-8970
(31) 3224.4000
(31) 3239.9308/9224
Capítulo: Crotálico
SP
Marisa Mazzoncini Azevedo Marques
Centro de Estudos de Emergência em Saúde
Tel. (16) XXXX-2099 (casa)
(16) 3602-1247/1225
SP
Palmira Cupo
Faculdade de Medicina da USP
Tel. (16) 3602-1000/1190
MG
Délio Campolina
CIT, Hospital Pio
Tel. (31) XXXX-8970
(31) 3224.4000
(31) 3239.9308/9224
Capítulo: Laquético
SP
João Luiz Costa Cardoso
Hospital Vital Brazil, Instituto Butantan
 (11) 3726-7962 (hospital)
(11) XXXX-3181 (casa)
BA
Daniel Santos Rebouças
CIAVE Salvador/BA – Diretor
Tel. (71) 3387-4343 / 3414
BA
Rodrigo C.G. Souza
Núcleo Serra Grande
CTF Ibama/MMA
PA
Pedro Pereira de Oliveira Pardal
Núcleo de Medicina Tropical, Universidade Federal do Pará
Tel. (91) XXXX-3922
Capítulo: Elapídico
SP
Fábio Bucaretchi
Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp
Tel. (19) 3521-7437
Fax. (19) 3521-8873
PA
Pedro Pereira de Oliveira Pardal
Núcleo de Medicina Tropical, Universidade Federal do Pará
Tel. (91) XXXXXXXX
SC
Marlene Zannin
CIT – Santa Catarina
Tel. (48) 3721-9535
(48) 3721-9173
SP
José Yamin Risk
Hospital Vital Brazil, Instituto Butantan
Tel. (11) 3726-7962 (hospital)
Capítulo: Colubrídeos
SP
Francisco Oscar de Siqueira França
Hospital Vital Brazil, Instituto Butantan
Tel. (11) 3726-7962 (HVB)
Tel. (11) 3069-6397 / 6530 (HC)
SP
Vidal Haddad Jr.
Hospital Vital Brazil, Instituto Butantan
Tel. (11) 3726-7962 (HVB)
Tel. (14) 6821-2121 (UNESP Botucatu)
Tel. (14) 3882-4922 (UNESP Botucatu)
Cel. (14) XXXX-7357
Capítulo: Identificação escorpiões
SP
Denise Maria Candido
Laboratório de Artrópodes, Instituto Butantan
Tel. (11) XXXX-2436
(11) 3726-7222 - Ramal 2269 / 2235
SP
Paulo André Margonari Goldoni
Laboratório de Artrópodes, Instituto Butantan
Tel. (11) 3726-7222
Capítulo: Escorpiônico
MG
Délio Campolina
CIT, Hospital Pio
Tel. (31) XXXX-8970
(31) 3224.4000
(31) 3239.9308/9224
SP
Fábio Bucaretchi
Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp
Tel. (19) 3521-7437
Fax. (19) 3521-8873
PA
Pedro Pereira de Oliveira Pardal
Núcleo de Medicina Tropical, Universidade Federal do Pará
Tel. (91) XXXX-3922
SP
Palmira Cupo
Faculdade de Medicina da USP
Tel. (16) 3602-1000 / 1190
Capítulo: Identificação de aranhas
SP
Rogério Bertani
Laboratório de Artrópodes, Instituto Butantan
Tel. (11) 3726-7222 Ramal: 2360
Fax: (11) 3726-1505 / Cel. (11) XXXX 3525
PR
Emanuel Marques da Silva
Secretaria de Estado de Saúde do Paraná
Tel. (41) 3330-4470
Cel. (41) XXXX 9648
Fax. (41) 3330-4479
Capítulo: Phoneutria
SP
Fábio Bucaretchi
Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp
Tel. (19) 3521-7437
Fax. (19) 3521-8873
SP
Ceila Maria Sant´Ana Málaque
Hospital Vital Brazil, Instituto Butantan
Tel. (11) XXXX 6424 (residencial)
(11) 3896-1256 (trabalho – não é do HVB)
Capítulo: Loxosceles
PR
Marlene Entres
CIT/SESA/PR
Tel. (41) 3264-8290 / 3363-7820
0800-410148
SP
Ceila Maria Sant´Ana Málaque
Hospital Vital Brazil, Instituto Butantan
Tel. (11) XXXX-6424 (residencial)
(11) 3896-1256 (trabalho – não é do HVB)
SC
Marlene Zannin
CIT – Santa Catarina
Tel. (48) 3721-9535
(48) 3721-9173
SP
Katia Cristina Barbaro
Laboratório de Imunopatologia, Instituto Butantan
Tel. (11) 3726-7222 ramais 2087/2134
Cel. (11) XXXX-7357
Capítulo: Latrodectus
BA
Daniel Santos Rebouças
CIAVE Salvador/BA – Diretor
(71) 3387-4343 / 3414
MG
Délio Campolina
CIT, Hospital Pio
Tel. (31) XXXX 8970
(31) 3224-4000
(31) 3239-9308 / 9224
Capítulo: Outras aranhas
SP
Fabio Bucaretchi
Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp
Tel. (19) 3521-7437
Fax. (19) 3521-8873
Capítulo: Identificação de Lagartas
SP
Roberto Henrique Pinto Moraes
Instituto Butantan
Tel. (11) 3726-7222 Ramal: 2128
Cel. (11) XXXX-3719
Capítulo: Lagartas e Lonomia
RS
Alaour Cândida Duarte
Universidade de Passo Fundo – RS
Tel. (54) 3311-4704
Cel. (54) XXXX-5410
SC
Marlene Zannin
CIT – Santa Catarina
Tel. (48) 3721-9535
(48) 3721-9173
Capítulo: Himenópteros
SP
Carlos Roberto de Medeiros
Hospital Vital Brazil, Instituto Butantan
Tel. (11) 3726-7962
Cel. (11) XXXX-4018
SP
Marisa Mazzoncini Azevedo Marques
Centro de Estudos de Emergência em Saúde
Tel. (16) XXXX-2099 (casa)
(16) 3602-1247/1225
SP
Vidal Haddad Jr.
Hospital Vital Brazil, Instituto Butantan
Tel. (11) 3726-7962 (HVB)
Tel. (14) 6821-2121 (UNESP Botucatu)
Tel. (14) 3882-4922 (UNESP Botucatu)
Cel. (14) XXXX7357
Capítulo: Coleópteros
PA
Pedro Pereira de Oliveira Pardal
Núcleo de Medicina Tropical, Universidade Federal do Pará
Tel. (91) XXXX-3922
MG
Délio Campolina
CIT, Hospital Pio
Tel. (31) XXXX-8970
(31) 3224-4000
(31) 3239-9308/9224
SP
João Luiz Costa Cardoso
Hospital Vital Brazil, Instituto Butantan
Tel. (11) 3726-7962 (hospital)
(11) XXXX-3181 (casa)
SP
Vidal Haddad Jr.
Hospital Vital Brazil, Instituto Butantan
Tel. (11) 3726-7962 (HVB)
Tel. (14) 6821-2121 (UNESP Botucatu)
Tel. (14) 3882-4922 (UNESP Botucatu)
Cel. (14) XXXX-7357
Capítulo: Outros Artrópodes Peçonhentos
SP
Eduardo Mello De Capitani
UNICAMP
Tel. (19) 3521-7595
Cel. (19) XXXX-9916
SP
João Luiz Costa Cardoso
Hospital Vital Brazil, Instituto Butantan
Tel. (11) 3726-7962 (hospital)
(11) XXXX 3181 (casa)
SP
Vidal Haddad Jr.
Hospital Vital Brazil, Instituto Butantan
Tel. (11) 3726-7962 (HVB)
Tel. (14) 6821-2121 (UNESP Botucatu)
Tel. (14) 3882-4922 (UNESP Botucatu)
Cel. (14) XXXX 7357
Capítulo: Animais Aquáticos amazônicos
PA
Pedro Pereira de Oliveira Pardal
Núcleo de Medicina Tropical, Universidade Federal do Pará
Tel. (91) XXXX-3922
Capítulo: Animais aquáticos extra-amazônicos
SP
Vidal Haddad Jr.
Hospital Vital Brazil, Instituto Butantan
Tel. (14) 6821-2121 (UNESP Botucatu)
Tel. (14) 3882-4922 (UNESP Botucatu)
Cel. (14) XXXX-7357
SP
Domingos Garrone Neto




No final deste mês de maio encerram-se os trabalhos, e se a burocracia dos cronogramas e prazos de impressão não atrapalharem, centros de saúde por todo o país receberão um material de qualidade inquestionável, objetivo, qualificador.

Temos planos, metas e direção. Na questão do ofidismo portanto, há mais motivo para orgulho e força na remada, que para qualquer complexo de vira-latas (http://pt.wikipedia.org/wiki/Complexo_de_vira-lata).





sexta-feira, 27 de abril de 2012

Mais um motivo para confiar no Corpo de Bombeiros

Recebi ontem um email especial:

Boa Tarde ! Meu nome é Ednei, sou bombeiro em São Paulo,tomei a liberdade de pegar seu contato, através do livro "Animais Peçonhentos no Brasil". Primeiramente gostaria de parabeniza-lo pelo trabalho desenvolvido, aqui no bombeiro estamos usando o livro como referência. Gostaria de tirar algumas dúvidas: 1- A aplicação de gelo no local da picada de animais peçonhentos, com o objetivo de diminuir a dor é indicado ??? 2- O Sr. conhece o Guidelines 2010 ? Estou enviando o mesmo em anexo, pois na pagina 28 - Indica-se como atendimento imediato a aplicação de atadura de imobilização por pressão, sendo este procedimento uma maneira eficaz e segura de retardar o fluxo linfático e a disseminação do veneno, será que podemos utilizar este procedimento como padrão recomendado no atendimento de primeiros socorros?? O que o Sr. pode me informar sobre isto ?? Conhece este procedimento ??? Desde já agradeço pela atenção e por colaborar com o trabalho do Corpo de Bombeiros. Cordialmente, CB PM Ednei 8º Grupamento de Bombeiros.

O CB PM Ednei refere-se à este trabalho, abaixo:




Na pagina 28, lê-se: Picadas de cobra 2010 (Nova): A aplicação de uma atadura de imobilização por pressão, com pressão entre 40 e 70 mmHg na extremidade superior e 55 e 70 mmHg na extremidade inferior, em torno de toda a extensão da extremidade picada, é uma maneira eficaz e segura de retardar o fluxo linfático e, por conseguinte, a disseminação do veneno. 2005 (Antiga): Em 2005, o uso de ataduras de imobilização por pressão para retardar a disseminação da toxina era recomendado apenas para vítimas de picadas de cobra com veneno neurotóxico. Motivo: A eficácia da imobilização por pressão está, agora, demonstrada para picadas de outras cobras venenosas americanas. Confira o original, abaixo:




Isto posto, inicio minhas respostas pela pergunta numero 2:


A técnica das bandagens utiliza ataduras elásticas largas (15 cm ou mais), destas comuns de qualquer farmácia, envolvendo todo o membro acometido pela picada, com mais pressão distal do que na parte proximal. Se estivéssemos na Australia, lidando com acidentes envolvendo Elapideos, a sugestão da American Heart Association teria fudamentação: falamos de acidentes com animais de neurotoxicidade extrema, rapidamente fatais, e há estudos sérios (australianos) indicando que as PBs ('pressure bandages') salvaram vidas, retardando a ação do veneno e dando tempo de uma abordagem hospitalar ao acidentado, com melhor quadro clinico.

Nos Estados Unidos o assunto é ainda controverso. Os estudos em Loma Linda (1998), em porcos inoculados com veneno de cascavel, indicam eficiência nas técnicas com PBs. Já Norris, de Stanford, em 2002 diz que a técnica é de dificil aplicação. Não há consenso, e muita especulação.

No Brasil, foco de nossa atenção, sou da opinião de que as novas guidelines são uma temeridade. Não aceito em absoluto a universalização do procedimento. Para mim, tendo em foco a realidade brasileira, bandagem de pressão é torniquete fraco, que aumentaria o dano local concentrando veneno - principalmente aqui com nossas Bothrops, de peçonha altamente proteolítica, e responsáveis por mais de 80% dos acidentes - sem reverter significativamente a absorção pela via capilar. Há recomendações especificas sobre qual pressão aplicar (40-70 mm Hg distal e 50-70 mm Hg proximal), impossíveis de se alcançar com rigor tecnico por 99% dos socorristas, ainda mais com edema (inchaço) em progressão. Manobras inúteis retardando tratamento efetivo, hospitalar, e com grande potencial iatrogênico. No caso das cascavéis, além do edema em progressão que comprometeria a pressão aplicada pela bandagem, penso que a rede capilar fará o encaminhamento do veneno para a corrente sanguínea, visto que a inoculação destas solenóglifas não é superficial, ou seja, o velho e bom 'manter a vitima calma, sem esforço físico - isso sim retardando absorção - e voar para o hospital' continua sendo, para mim, a grande novidade.

Já discuti o procedimento com o Chefe do Centro de Controle de Intoxicações do maior pronto socorro de Minas Gerais, o altamente experiente Professor Délio Campolina, que se posiciona da seguinte forma: "Concordo plenamente com você; é uma situação complexa e com muitas variáveis, como tipo da serpente e ações de seu veneno, características da picada e inoculação, tempo, recurso médico no atendimento, identificação adequada da espécie, distância e transporte disponível, biotipo, entre muitas outras como vc sabe... como monitorar este nível de pressão?! Não dá para generalizar este tipo de procedimento e não acredito em sua efetividade, além de ser temerário se não realizado adequadamente"




Quanto à segunda pergunta, sobre o gelo em acidentes com animais peçonhentos para controle de dor, creio que sua eficiência se restringiria a picadas (em pequeno numero) de abelhas e vespas. Não se usa gelo em picada de cobra, a vasoconstrição induzida por gelo concentra veneno e aumenta a chance de maior dano local. Baixas temperaturas induzidas por gelo não desnaturam proteínas do veneno, que continua ativo, e causando dor local intensa, nos acidentes Botrópicos e Laquéticos em especial. É dor para se tratar com analgésicos pesados, hospitalares. Quanto aos escorpiões mesma coisa, é dor tratável somente com bloqueio anestésico da inervação do local afetado, dedos normalmente. O mesmo vale para picadas das aranhas Phoneutria e Lycosa. Muita gente não entende o conceito de 'dano local', que convido-o a conhecer por imagens: http://lachesisbrasil.blogspot.com.br/2011/02/sobre-amizade-ao-dr-delio-campolina.html









Encerro agradecendo pela honrosa oportunidade de ajudar a Corporação (e o acidentado) e parabenizando-o pelo alto nível do questionamento.

À disposição,

Rodrigo

domingo, 15 de abril de 2012

Os essenciais 11 - Ana Paula Padrão



Nos idos de 2004, eu não tinha ratos para alimentar o plantel inicial do Núcleo Serra Grande. Comprava ratos de esgoto. Anunciava na radio local que pagaria 1,00 real por cada um deles. Inocência que me complicaria mais tarde, com acusações de 'comercio de fauna'.

Da propriedade de Cleber Izaac Filho, o resort Villas de São José, eu já havia removido vivas diversas Lachesis, perigosamente próximas a turistas e funcionários. Ana tem casa lá e conhecia meu esforço. Cleber levou a ela o difícil problema da alimentação destas cobras em cativeiro. Havia um trabalho pioneiro na área precisando de ajuda.

Uma produtora de hamsters em Itabuna estava desistindo do negócio. Centenas de gaiolas, prateleiras, bebedouros e matrizes. Ana financiou esta compra e o Núcleo Serra Grande não mais precisaria de ratos de esgoto.




















Já tive a chance de agradecer-lhe, mas não em público como faço agora, por viabilizar nossos primeiros passos pela preservação das ultimas surucucus da Mata Atlântica.

Sua saída voluntária da 'não abandonável' Rede Globo, suas matérias em zonas de guerra e no mundo muçulmano - com grande risco pessoal - antes de qualquer ajuda ao NSG já haviam chamado a minha atenção. Certa feita essa rebelde escreveu sobre Robert Frost e a verdadeira rebeldia, confira logo abaixo.


Eu era ainda mais nova do que as adolescentes da novela Rebelde quando li um poema que mudou a minha vida. The Road Not Taken, do Americano Robert Frost. O título é difícil de traduzir para o português. Mas quer dizer mais ou menos O Caminho Não Trilhado.

Alguns anos depois, naquela fase que os adultos chamam de adolescência rebelde, cortei meu cabelo bem curto e pintei de preto. Achei que era o máximo da ousadia. Se todos gostavam do meu cabelo comprido, pois eu o teria curto e despenteado. 

A gente demora pra descobrir que rebeldia não tem nada a ver com o corte de cabelo, piercings, tatuagens ou qualquer outro visual estranho que nos diferencie dos demais. A verdadeira rebeldia está no poema de Robert Frost. 

Escolher o caminho não trilhado. O mais difícil. O mais desafiador.

O poema diz que, diante de dois caminhos, ambos parecem bons para o viajante. Ele decide-se por um deles e descobre, muito mais tarde, que essa escolha fez toda a diferença em sua vida. Porque ele optou pelo oposto da maioria. Quando, nas inúmeras encruzilhadas da vida, escolhemos o novo, estamos sendo rebeldes? Se essa é a tal rebeldia, bem-vinda seja!

Fazer uma trajetória diferente daquela que o senso comum ou a cultura vigente aconselham é a rebeldia saudável, que muda a história por abrir novos caminhos para outros. Todo grande movimento que mudou o mundo começou num ato de rebeldia. Por causa das feministas, por mais que hoje eu discorde delas, as mulheres agora podem escolher que caminho desejam para si. Só para citar um dos muitos exemplos dessas revoluções que movem o planeta.

A rebeldia exige coragem. Mas não só isso. Exige sabedoria. Ponderação. A verdadeira rebeldia não é coisa pra adolescentes, mas se você quer se sentir jovem para sempre, seja um rebelde.



* Ao caro leitor que mandou-me dezenas de fotos 'melhores' dela, daquelas sorridentes, esclareço que prefiro o momento que segue retratado, que me sugere coragem, seriedade, sem falar de uma beleza física impressionante.



quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Pico do Inficcionado, Gruta do Centenário, Natal de 2011, Brasil


Inficcionado. Natal.  O Aniversariante frequentemente buscava as montanhas (Mt 14, 23 ;  Mt, 28, 16 ; Lucas 6, 12-13 ; Lucas 9, 28-29 ) ...

Pico do Inficcionado, casca grossa

... à caminho do Inficcionado, de olho no chão, lembrava-me de que a "Mãe dos Homens", transmitira a um dos Irmãos, uma mensagem dizendo que sob Sua proteção, não haveria gente picada por cobra no Santuário ...




... desta vez foi por pouco. Andando rápido na trilha estreita, Neneco passou sobre o animal sem vê-lo ou pisá-lo. Logo atrás, atento, já peguei o bote a caminho, tendo tempo somente de saltar sobre o bicho, no reflexo....





... cheguei ao Caraça na tarde da sexta, dia 23. Quartinho simples, uma cama, banheiro. Brandy espanhol, de Botton e Hitchens como companhia.  Lanternas carregando. Concentração ...





 O objetivo na tarde de Natal seria subir o Inficcionado, o que nunca é fácil, e também fazer os 482 metros da Gruta do Centenário - onde já houve acidentes graves, com gente experiente - conhecendo-a melhor antes de um retorno com meus filhos. E assim foi feito, em 11 horas de exercício físico ininterrupto: 3 1/2 horas para chegar ao cume, 1 1/2 hora para atravessar os 482 metros do Centenário, e os mesmos tempos para fazer a volta ao Santuário. 


Ser pego de surpresa por um aguaceiro ou uma 'cabeça d'água'  em alguns pontos do labirinto que é a Gruta (confira o segundo vídeo abaixo), pode resultar em grande dificuldade. Na quinta feira houve precipitação de até 120 mm de chuva, a cascata bruta descendo do Pico do Sol não deixava dúvida. A previsão para o dia da escalada, o Sábado, era de 2 mm de precipitação, com tempo nublado, fechado, sem chuva forte, sem sol forte: perfeito. Mas sabíamos que iriamos encontrar terreno escorregadio e friável pela frente. Separei estes registros abaixo (aumente o som) para mostrar um pouco do que se esperar ao adentrar o Centenário...









Para se ter a certeza de que os 482 metros do Centenário foram transpostos, ao final da travessia (que vale cada metro) é necessário dar de cara com a paisagem abaixo, a "Garganta do Diabo" vista por dentro, de sua base, na primeira foto abaixo. Do cume, a mesma "Garganta" é vista como na segunda foto, abaixo. A terceira e ultima foto é um momento Inficcionado, pedra respeitável.





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