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quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Mole, Ditmars, Amaral, e o enigma dos ovos



Ao final da postagem "Os essenciais 6", afirmo que não há especialistas no gênero Lachesis e que somos todos aprendizes, pois tudo envolvendo as surucucus é muito recente.

Um exemplo disso é o artigo de 1925 de Afrânio Amaral onde se lê:

"... se a suposição levantada por Ditmars, a respeito da oviparidade de Lachesis muta fosse futuramente confirmada, nós teríamos mais um argumento para separar esta especie das de um outro gênero neotrópico, Bothrops, porque estas ultimas são todas reconhecidamente ovo-vivíparas ..."

R.R. Mole, de Port of Spain, Trinidad, parece ter sido o primeiro a levantar a hipótese da oviparidade em Lachesis. No livro de Ditmars, 'Reptiles of the World', de 1910, há uma foto de Mole onde uma Lachesis repousa sobre ovos, 'que foram considerados como seus'.

No artigo de Amaral, lemos que desejoso de que 'suas observações fossem confirmadas', Mole chegou a enviar uma surucucu viva e supostamente gravida para Ditmars, então curador de répteis do NY Zoo, na esperança de que houvesse postura de ovos e encubação dos mesmos num ambiente mais controlado. A cobra morreu durante a viagem, e a duvida permaneceu.

Amaral então nos relata que em 6 de dezembro de 1921, o Professor Pirajá da Silva, em Maraú, Bahia, recebeu do Sr. José D'Almeida Sobrinho uma surucucu viva, que rapidamente faleceu na caixa onde havia sido guardada, e que a mesma havia depositado 'onze grandes ovos' naquele recinto.

Cobra e ovos foram enviados para o Butantã, onde Amaral os estudou, concluindo então pela oviparidade em Lachesis, em 1925. Abaixo a prancha original do artigo de Amaral, bem como a tabela por ele elaborada para a diferenciação Lachesis x Bothrops, agora incluindo a oviparidade das surucucus.





O titulo original do artigo de Amaral é 'Sobre Lachesis muta DAUDIN, 1803, especie ovípara', Revista do Museu Paulista, março de 1925.



sábado, 31 de agosto de 2013

Mea culpa




Em maio de 2013 publiquei a postagem "Matrix, sincronicidade e sorte na vida":
http://lachesisbrasil.blogspot.com.br/2013/05/matrix-sincronicidade-e-sorte-na-vida.html

Naquele texto relato um bote de surucucu no meu rosto, e do qual escapei por pouco com uma técnica pouco ortodoxa. Mas vindo da minha boca, sei que pareceria exagero, ou mentira mesmo. Esperei então que uma testemunha ocular, Bernardo Esteves, publicasse sua visão do ocorrido na revista Piauí numero 83, de agosto de 2013:

"No fim da manhã em que visitamos o serpentário, Rodrigo Souza trouxe duas surucucus e deixou-as soltas no chão, numa área aberta. Eram dois machos. Um deles, de 1,90 metro, estava enrolado, imóvel. O outro tinha 2,20 metros e estava mais irrequieto, explorando o ambiente, com batimento de língua em alta frequência. "Ela está mostrando claramente que está tranquila, mas muito alerta", avaliou Souza.

O médico sentou-se sobre a terra coberta de folhas, com as pernas dobradas para o lado, a pouco mais de 1 metro das cobras. Segurava um pedaço de pau com a ponta dobrada que estava usando para manejá-las. O animal mais agitado aproximou-se da serpente imóvel e fuçou o chão, num ponto em que ela havia colocado a cloaca. As duas surucucus ergueram a cabeça e se encararam, batendo a língua uma na outra. "Está havendo uma interação meio maluca entre elas", disse Souza."Não estou entendendo exatamente o que está acontecendo, vamos acompanhar."

A surucucu mais inquieta havia contornado o animal enrolado e agora rastejava na direção de Souza, que evitou sua aproximação com o pedaço de pau. Ela parecia ter identificado uma fonte térmica à sua frente. A cobra ergueu-se então até a altura do peito do médico e recuou ligeiramente a porção do corpo que estava acima do chão. Não vibrou a cauda sobre a folhagem para anunciar o voo preciso em que se lançou em direção ao rosto de Souza. O médico encontrou tempo de se jogar para trás numa cambalhota cinematográfica, aterrizando a 2 metros do animal.

"Agora acabou !", exclamou Souza, enquanto brandia o gancho na direção da cobra que acabara de atacá-lo, ainda armada com um duplo S. A serenidade de alguns instantes atrás dera lugar a um semblante de tensão e alerta. Souza escapou do bote certeiro por muito pouco, executando um rolamento para trás que ele pratica semanalmente nas aulas de Krav Magá, a defesa pessoal do exército israelense."

Meu filho Luca, de 10 anos, viu assim a situação. O olho arregalado é mais que preciso ...




Meu momento de aposentadoria na lida com Lachesis  pelos métodos do Núcleo Serra Grande - quase zero de manipulação na região cervical, laço nunca, em hipótese alguma - será aquele em que eu não possa mais contar com vigor físico que me permita explosões musculares reflexas, como esta descrita por Bernardo Esteves, acima. Outros botes virão, isso é certo.

A lição maior no episódio foi o ataque atípico, queimando etapas defensivas: imobilidade, batimento de cauda no chão, formação do duplo S, e então o bote. Também não houve a clássica redução nos batimentos de língua, o que indica que o animal está tenso, analisando a química do ar, planejando os próximos movimentos. Não, a cobra se movimentou decidida em direção à fonte térmica, e sem hesitação lançou-se rumo ao meu rosto. Somente depois, na foto abaixo, vi que meu macacão com isolante térmico estava aberto, mais uma razão para a desorientação termo-sensorial da pico-de-jaca. Mea culpa.































sexta-feira, 30 de agosto de 2013

VENENO



Tem pergunta que chega que dá até medo de ler, ainda mais vinda de universitários: 'o que é o veneno', 'qual a constituição do veneno da surucucu da Mata Atlântica ?'. É que aqui não cabem simplificações. É bioquímica pesada mesmo, que tentaremos transmitir de forma o menos tediosa possível.






O veneno de Lachesis muta rhombeata (LMR) apresenta componentes não tóxicos, destinados a facilitar a difusão dos componentes tóxicos no organismo da vitima/presa, e também os tóxicos, originados de algumas poucas famílias proteicas como metaloproteases, serinoproteases, fosfolipases A2, BPPs e lectinas tipo-C, que em conjunto são responsaveis pelos distúrbios sanguíneos e choque hipotensivo nos envenenamentos por Lachesis muta rhombeata.

A analise do proteoma da surucucu da Mata Atlântica (Santos, 2013), por espectrometria de massas e eletroforese bidimensional (EFB+EM), evidenciou as seguintes famílias proteicas: fosfolipases A2 (PLA2) na proporção de 37.93%; inibidores de proteases 22.41%, proteínas de sinalização intracelular 13.79%, NGFs 5,17%, metaloproteases 3,45%, fatores associados á DDB1 e CUL4 3,45%, oxirredutores 3,45%, proteínas de transdução de sinal 1,72%, componentes do complemento 1,72%, proteínas NipSnap 1,72%, proteínas lin-7 1,72% e 3,35% de outras proteínas, não classificadas.

As fosfolipases A2, na proporção de 37.93%, estão envolvidas na caça/busca alimentar de Lachesis muta rhombeata: estas proteínas induzem paralisação e hemorragias (inibição de agregação plaquetária) nos roedores caçados, e posteriormente sua digestão. 37,39% é valor mais que surpreendente: as fosfolipases corresponderam a 13,4%, 14,1%, 2,3& e 8,7% dos proteomas de peçonha de L. melanocephala (Costa Rica), L. stenophris (Costa Rica), L. acrochorda (Colômbia) e L. m. muta (Bolívia) respectivamente (Madrigal, 2012). Outros 3,45% do proteoma é representado por metaloproteases (atragina), relacionadas à alterações na coagulação sanguínea nas presas.

Em proporção de 22,41% aparece a família proteica das 'inibidoras de proteases', representada pela cistatina na peçonha de LMR. A cistatina como dito 'inibe proteases', em especial as metaloproteases P III que contem cisteína, inibindo crescimento, invasão e metástase de células tumorais in vitro e in vivo, e parece proteger a serpente de danos teciduais, ao envenenar-se a sí mesma (com suas próprias proteases).

Outras 13,79% das proteínas do veneno também não estão relacionadas à toxicidade direta, segundo o método EFB+EM, exemplos: os NGFs (fatores de crescimento neuronal) por exemplo, na proporção de 5,17% do proteoma da peçonha de LMR, atuam dentre outras formas, aumentando a suscetibilidade da região da picada a outros componentes do veneno, facilitando sua infiltração. 3,45% do proteoma da peçonha de LMR está relacionado às proteínas DDB1 e CUL4, relacionada à regulação de ciclo celular. Outros 3,45% deste proteoma engloba a família das 'oxirredutases' e se relaciona a processos de transferência de elétrons e oxirredução. 1,72% do proteoma é representado pelas 'proteínas de transdução de sinal', responsáveis por angiogênese e migração celular. Outros 1,72% do proteoma é representado pelos 'componentes do complemento', relacionados á processos inflamatórios e morte celular. Outros 1,72% do proteoma engloba as proteínas Nip Snap, que participam da curiosa função de 'ensacar' alguns componentes do veneno, formando vesículas, para que estes atinjam a circulação sanguínea do alvo da inoculação. Outros 1,72 do proteoma são representados pelas proteínas lin-7, envolvidas no transporte de componentes tóxicos do veneno aos tecidos da presa/vitima.

Com base na analise proteômica (EFB+EM) os principais processos biológicos desencadeados pela peçonha de LMR são inflamação, com 15,13% de proteínas da peçonha envolvidas diretamente nesse processo; miotoxicidade (14,47%) e degradação lipídica (14,47%) dos tecidos e membrana das presas, facilitando disseminação de veneno.E finalmente o processo biológico de'inibição plaquetária', também com 14,47% de proteínas do proteoma de LMR diretamente envolvidas, e responsáveis por hemorragias na presa. Todos estes processos são interligados, nas palavras de Santos (2013): "... as proteínas responsáveis pela degradação lipídica estão relacionadas com a produção de miotoxicidade local e sistêmica, que tem ação direta e especifica sobre musculatura esquelética, podendo levar a degeneração e morte celular (mionecrose). Por sua vez, essa lesão celular e tecidual pode desencadear respostas inflamatórias, levando ao aumento da permeabilidade vascular e da migração de neutrófilos, produzindo abscesso na região da picada. O interessante é que a inflamação também é causada por substancias provenientes do plasma e de plaquetas, e a inibição da agregação plaquetária por componentes da peçonha interfere na ação de mediadores inflamatórios, como o fator de ativação plaquetária que tem papel contrario ao ativar a agregação plaquetária..."

Outros processos biológicos desencadeados pelas famílias proteicas do proteoma peçonha de LMR, e a proporção de proteínas encontradas no veneno e diretamente relacionadas a esse processo são, segundo EFB+EM: migração celular (10,53%), inibição de proteases (8,55%), regulação da transcrição de DNA e RNA (5,92%), sinalização celular (2,63%), diferenciação neuronal (1,97%), ligação ao DNA (1,97%), angiogênese (1,97%), processamento de RNA (1,32%), regulação do ciclo celular (1,32%), danos endoteliais (1,32%), oxirredução (1,32%), transporte proteico/vesicular (1,32%), desenvolvimento celular (0,66%) e morte celular (0,66%).

Pelo método FPLC (Fast protein liquid chromatography) e sequenciamento N-terminal (FPLC+SNT), a peçonha de LMR evidenciou as seguintes famílias proteicas: serinoproteases (30,03%), metaloproteases (24,17%), BPPs (19,64%), PLA2s (14,95%), lectinas tipo C (1,94%), LAAOs (1,40%) e metaloendopeptidases (0,73%). Também segundo esse método (FPLC), os principais processos biológicos ocasionados pelas proteínas encontradas foram: fibrinólise (14,29%), interferência na agregação plaquetária (11,90%), hipotensão )9,52%), hemólise (9,52%), inflamação (9,52%), interferência na homeostase (7,14%), vasoativação (7,14%), angiogênese (7,14%), danos endoteliais (7,14%), inibição da migração celular (7,14%), degradação lipídica (2,38%), miotoxicidade (2,38%), proteólise (1,19%), atividade de hemaglutinação (1,19%), ligação à glicoproteínas da superfície celular (1,19%), e apoptose celular (1,19%).

A comparação dos resultados dos dois métodos, eletroforese bidimensional e espectrometria de massas (EB+ EM) de um lado, e de outro a FPLC e sequenciamento N-terminal (FPLC+SNT), demonstra que os dois primeiros métodos ressaltaram a presença de componentes proteicos relacionados ao metabolismo da peçonha (não tóxicos) de LMR, enquanto as duas ultimas técnicas ressaltaram a presença de seus componentes tóxicos, ficando evidente a complexidade do armamento da surucucu da Mata Atlântica. As duas técnicas mostraram que essa toxicidade se deve à presença de poucas famílias proteicas, como metaloproteases, serinoproteases, fosfolipases A2, BPPs, e lectinas tipo C, que juntas, são responsáveis pelos distúrbios de coagulação e choque hipotensivo característico dos envenenamentos por Lachesis.

Com relação à taxonomia, Santos (2013) observa: 'a presença de proteínas CRISPs e svVEGFs, na peçonha da subespécie Lachesis muta muta (Sanz 2008, e Madrigal 2012, ambos Bolívia), e sua ausência na peçonha da subespécie L. m. rhombeata pode ser um indicio da conservação destas serpentes em diferentes subespécies. A presença de metaloendopeptidases somente no proteoma em estudo também auxilia na corroboração deste fato'

http://lachesisbrasil.blogspot.com/2011/05/neurotoxicidade-em-lachesis.html




 

Bola dividida



Recebi algumas perguntas sobre o texto da Piauí, vou respondendo aos poucos, e inicio falando sobre o momento em que tenho que apartar duas Lachesis adultas, que disputavam um mesmo rato.

Não é a primeira vez que isso ocorre e não há desculpas, é erro de manejo, mas acontece.

À exceção talvez do momento da retirada dos ovos da fêmea, esse é o momento mais perigoso da lida, para os animais, e o tratador em especial.

Lachesis não morre com picada de Lachesis, possivelmente em função da cistatina na peçonha de Lachesis muta rhombeata. Trata-se de proteína do grupo 'inibidores de proteases' e tudo indica que participam da proteção da serpente da atividade proteolítica desregulada de seu próprio veneno.

Mas há aqui também o evento mecânico de uma presa de 5 cm sendo cravada na cabeça da outra serpente, algo que Bernardo Esteves classifica corretamente como um trauma análogo a uma 'punhalada no cérebro', e isso normalmente deixa sequelas.

Confira o relato de Bernardo http://revistapiaui.estadao.com.br/blogs/questoes-da-ciencia/geral/cobra-mordida e confira também, abaixo, presas de Lachesis ...




Já tivemos um caso que resultou em cegueira. O animal descrito por Bernardo Esteves, passados 60 dias do incidente, emagreceu e está recebendo alimentação forçada. Seu crânio está visivelmente perfurado e permanecerá no regime intensivo de criação - nosso CTI - por período indefinido.

Não temos problemas de alimentação no Núcleo Serra Grande. Custou muito, mas acertamos as dimensões dos ratos oferecidos, a temperatura correta do criatório para que não ocorram regurgitações, o ritmo alimentar propriamente dito. Aprendemos a separar animais em 1 metro um do outro ao alimentá-los, mas volta e meia somos surpreendidos por uma voracidade atípica, que pode resultar em 'bola dividida', e risco de vida tanto para os animais, quanto para quem pretende apartar a emergência.

A situação tipica é essa abaixo: ou se intercepta AGORA o animal que se aproxima, ou sérios problemas ocorrerão.





Atente também para o 'strike-hold' (bote-retenção) tipico de Lachesis, presas na cintura escapular e injeção direta de veneno em coração e pulmões, segurando a presa até imobilidade completa. Trata-se de adaptação evolutiva ao solo alagado da Mata Atlântica primaria  - confira abaixo o registro de Diego Badaró - onde o rato pode se perder em poças d'água, se liberto após a picada.






domingo, 25 de agosto de 2013

O melhor do Núcleo Serra Grande



O melhor do NSG tem nomes: Claudio, Roque e Macarrão. O melhor do NSG é oportunidade, emprego e educação.




terça-feira, 20 de agosto de 2013

BBC, surucucu e o tapa na cara


180 milhões de ouvintes, é o alcance de uma transmissão de radio da BBC, observem o brasão de armas da poderosa, falando de paz, que não é a palavra do momento. Fico pensando se nesse universo de ouvintes não há gente que financia a ENRC, a mineradora britânica que pretende bancar o projeto Porto Sul, e que seja capaz de deter a barbárie ambiental sobre um bioma já destruido em 94%, e ainda assim "Patrimônio da Humanidade" pela UNESCO.



                             
Abaixo o texto veiculado pela radio BBC, de autoria na jornalista Kirsty Lang, que nos visitou em Serra Grande.

Carnival was in full swing in the small Brazilian coastal town of Itacare when a giant snake measuring six metres long, slithered down the streets sending hundreds of revellers screaming into the roadside bars. Until recently the snake would have been killed. The police were standing by with twelve guage shotguns. But instead the local doctor was summoned. Dr Rodrigo Souza (SO-za) moved to the North Eastern state of Bahia12 years ago and developed a fascination with the rainforest and it’s wildlife. Now whenever a strange creature ventures into a built up area, the Doctor is called in. He was even asked to rescue a group of confused penguins that had been swept up from the Falkland Islands by the mighty South Atlantic current.

Rodrigo identifies the carnival incident as a turning point in his battle to save endangered species in this dwindling patch of Atlantic rainforest in which he has made his home. When Rodrigo first moved to North Eastern Brazil it was common to see people illegally selling birds, snakes and monkeys on the side of the road. That rarely happens now. The authorities have clamped down and the local people have become more aware of the importance of saving their unique ecosystem. On the day I drove to visit Rodrigo, someone stopped the traffic in the middle of the road to allow a snake to cross

But Rodrigo’s real passion is the Atlantic Bushmaster, one of the most poisonous snakes in the Western Hemisphere. Thick bodied and measuring up to three metres long, these majestic creatures have distinctive orange and black markings and heat seeking sensors under the eyes that allows them to lock on to warm blooded mammals. A human can die within an hour of being bitten unless they receive the right anti-venom injection.

There are 35 Bushmasters living in Rodrigo’s private snake sanctuary which has a NO ENTRY sign on the door with a large skull and crossbones. He’s been compared by the Brazilian media to Grizzly Man, the American environmentalist who lived among the Grizzly bears of Alaska until one of them killed him. Grizzlyman’s life and death was the subject of an excellent documentary by the German filmmaker, Werner Herzog. But Rodrigo resents the comparisons:  “I’m under no illusion about my snakes.” he says “They have no idea who I am and I know they will not hesitate to kill me”.

I admit to feeling absolutely terrified when he invites me inside the sanctuary to watch him casually lifting up a two metre snake with an instrument resembling a giant metal tuning fork. Before handling them he zips into an insulated body suit that stops him from giving off too much heat. Meanwhile I’m standing a safe distance away – trembling with fear - in shorts and a T-shirt.

The Bushmaster has an almost mythological status amongst the indigenous people of the rainforest. Because of its attraction to heat they called it the “fire extinguisher” and have warned Rodrigo never to sit near an open fire in Bushmaster territory because the snakes can leap a distance of several metres towards a heat source and at very high speed. He was once called to a road traffic accident where a Bushmaster had attacked the headlamp of a passing motorbike.

Dr Rodrigo Souza is the first and probably only person ever to successfully breed the Atlantic Bushmaster in captivity. He milks his snakes for venom which is then used to make an antidote for snake bite victims. The Bushmaster venom also contains unique medical properties of interest to cancer researchers.

However this majestic serpent is now under threat of extinction as its habitat disappears. Along with lion tamarins, cougars and woolly spider monkeys, Bushmaster snakes are one of many endangered species unique to Brazil’s Atlantic Rainforest.  Not to be confused with the mighty Amazon, the Atlantic rainforest once covered the entire coastal region from the North East to the Argentine border in the South. But now only 6 per cent of it remains, a few tiny islands of green, most of in the state of Bahia and even these are under threat.

There are now plans by ENRC, a British Kazak mining company to build a railway right through one of the few remaining areas of virgin Atlantic rainforest. ENRC’s aim is to transport iron ore from a mine inland to the port of Iheus despite this area being named by UNESCO as a priority region for conservation. For Rodrigo who has been battling for years to preserve this unique ecosystem, it’s a slap in the face. For him the railway would be an ecological disaster for the rainforest and his beloved snakes 


À pedido da Kirsty, mandei hoje imagens para um blog da própria BBC, cujo link divulgo em breve, e onde teremos (espero) a chance de elaborar melhor a questão ENRC versus proteção ambiental.

Confira motivos para preocupação:

http://www.standard.co.uk/business/business-news/scandalhit-miner-enrc-delivers-a-profits-blow-8761304.html