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INDICE AO BLOG NSG E À BIBLIOTECA VIRTUAL LACHESISBRASIL BASEADO EM BUSCAS ESPECÍFICAS

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quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Vaquinha (S.O.S NSG / fund raising) e Obrigado



As contas precisam ser pagas, os filhos dos funcionários alimentados, a fabrica de ração de ratos precisa de seus insumos. O custo fixo operacional do Núcleo Serra Grande é de R$ 6.000,00 / mês. Não tenho patrocínios, é dinheiro que sai da medicina e de empréstimos bancários.

Na postagem anterior e em outras oportunidades aqui no blog, explico que estou à mais de uma década à espera de um 'sim' ou um 'não' das autoridades, para seguir ou não com o trabalho pela preservação das ultimas surucucus da Mata Atlântica. Abaixo estes 10 anos em dois minutos ...





Claramente não sou prioridade nas análises, nem eu nem as surucucus, e há o agravante de não sermos dóceis. Alguns acham irritantes minhas cobranças.

Em 2011, uma analista 'me entregou' à uma autoridade, encaminhando-lhe email meu em que cobrava fortemente o tal 'sim', ou 'não' ...

Prezado Sr. Coordenador da COEFA,

  Tomei a liberdade, por vê-lo citado, de transmitir e-mail no qual
  respondia a outro que recebi do Sr. Rodrigo Cansado, cujo tom
  considerei que beirava a descortesia.
  Atenciosamente,
  XXXXX XXXXX
  Analista Ambiental
  IBAMA/XX

Obtendo do destinatário, um brasileiro atípico - funcionario público que não dissimula - a seguinte resposta:

From: Vitor Hugo Cantarelli <cantarelli.eng@XXXX.com>
Date: Thu, 2 Jun 2011 00:09:17 -0300
Subject: Re: Resposta a email do criadouro de serpentes em Itacaré
To: XXXXX XXXXX
Cc: XXXXX, XXXXX

 XXXXX, por mais que eu possa e tente entender os argumentos, nada
 justifica um processo de análise de um criadouro se arrastar por mais
 de 5 anos. A não ser que a proposta se caracterize como uma flagrante
 irregularidade, que não é o caso. Sempre sugiro que os servidores se
 coloquem na posição daqueles que necessitam dos serviços do Ibama.
 Assim solicito agilidade nas análises. Att, Vitor Hugo Cantarelli -
 Coordenador de Gestão de Usos da Fauna - COEFA/DBFFLO/IBAMA

A sugestão não foi acatada. Quem decide não se coloca no lugar de quem busca. O mérito não conta muito neste país de bolsistas. Aqueles que se destacam em sua persistência, trabalho duro, obstinação são frequentemente atacados em sua virtude. E isso não é novidade, como já apontava Ayn Rand ...




Mas o fato é que a fonte secou, e não se sabe o quanto mais terei que esperar. Aqueles mais próximos a mim sabem que falo de forma literal. Apesar da vida espartana que levo, não tenho mais como financiar sozinho o custo fixo mensal do NSG. Aqueles puderem ajudar com doações, por favor, façam agora: 

RODRIGO CANÇADO GONÇALVES DE SOUZA
CPF 525920146-91
BANCO DO BRASIL
AGENCIA 3192-5
CONTA CORRENTE 16526-3



sábado, 16 de agosto de 2014

Salvos pelos numeros ou, sobre as verdadeiras cobras criadas



Raramente o Brasil dá orgulho, pelo menos a mim. Vai passar batido o maior feito de um pesquisador nosso. Artur Avila, 35, acaba de ganhar a Medalha Fields.

Jacob Palis desembarcou no Brasil provincial de 1968, com o sonho absurdo de construir aqui uma ilha de excelência na Matemática Pura e Aplicada, e 'não sabendo que era impossível...'

50 anos mais tarde assiste a um egresso do seu IMPA chegar ao reconhecimento máximo, confira no vídeo abaixo esse momento, e boa sorte à partir do minuto 5:30 ...

http://revistapiaui.estadao.com.br/edicao-1000/video/a-hora-da-medalha 

Conheça melhor Artur Avila, menino do Rio:

http://revistapiaui.estadao.com.br/edicao-1000/questoes-da-ordem-e-do-caos/artur-avila-tem-um-problema-



FieldsMedalFront.jpg

     TRANSIRE SUUM PECTUS MUNDOQUE POTIRI

'superar a si mesmo e conquistar o mundo'







segunda-feira, 9 de junho de 2014

Livro Aberto



Desci do avião ontem às 17:30 hs, de Serra Grande direto para um plantão de cirurgia. Só agora, exausto, me dei conta da intensidade dos últimos dias.

Calma relativa no Núcleo. A agitação do Mapiguarí contrastava com a leveza da onça-rosa ...





Alheio às emoções gerais, seguia em meu trabalho meticuloso, delicado, sem margem para erros ...




Imobilizar com uma mão, contando com o Bushamp na retaguarda, e fotografar cientificamente com a outra mão. Não sem antes uma pequena maquiagem: a vasilha verde contem água, que com o pincel amarelo aplico sobre o dorso da cabeça das Lachesis, realçando o desenho na cabeça do animal.

Entenda o Bushamp http://lachesisbrasil.blogspot.com.br/2011/06/o-bushamp.html

Nada marca surucucus, senão o 'arabesco de cabeça'. Um microchip pode ser extraído de animal morto e inserido num recém retirado da natureza. Já o arabesco, esse é 'impressão digital' única e permanente no bicho.

No NSG cruzamos chip com registro do arabesco, para que as autoridades tenham uma marcação à prova de fraude, e para que eu como tratador, tenha referencias práticas fundamentais: quem comeu e quem não comeu, quem está com muda aderida, quem oferece mais risco na lida, e etc.

Dois exemplos de registro padrão NSG, abaixo ...




                      Uma fêmea sub adulta com chip 9247 apresenta o seguinte arabesco de cabeça




Enquanto o macho sub adulto de chip 9279, com o arabesco de cabeça registrado acima, recebeu a marcação 'três estrelas' por ser o animal mais perigoso de todo o plantel. Eu diria que 'uma em cem' surucucus faz justiça ao verbete Tupy Gurani 'su-ú-u', ou 'bote bote bote', ou 'aquela que dá botes repetitivos' (Silveira Bueno). Este animal é uma dessas Lachesis. Foram três botes em sequencia rápida e movendo-se em minha direção, ao mero posicionamento para a lida e antes de tocar-lhe.

A coleção cientifica NSG também passou por revisão ...




A correta destinação de um animal morto pode ser a diferença entre uma suspeita de tráfico, ou um estreitamento dos laços de confiança entre criador x autoridades ambientais.

Agora descanso, à noite tem mais sangue, mais violência, mais cirurgia ... saudades da agitação do Mapiguarí* ...


*criação de Naco Sales, meu amigo Telepata






sábado, 31 de maio de 2014

Soroterapia em campo



Biólogo, leitor do blog, trabalhando em área infestada por Bothrops jararaca, pergunta sobre aplicação de soro antiofídico, em campo. Sua unidade hospitalar de referencia está à 3 horas do local


Caro Rogério, a administração do soro antiofídico deve restringir-se ao ambiente hospitalar. Uma reação anafilática (reação alérgica aguda) desencadeada pela soroterapia pode ser mais letal que a picada da cobra em si. Nunca se sabe quem desenvolverá essa reação. A dita 'dessensibilização' para aplicação do soro, com prometazina e hidrocortisona, é mera ilusão.

Três horas para se chegar ao socorro no acidente botrópico é um tempo normalmente hábil* para atuação, desde que não se garroteie, e que a vitima seja deslocada com maca, improvisada que seja, pois maior esforço = maior frequência cardíaca = maior disseminação sistêmica. Certifique-se antes se essa sua unidade de referencia está realmente abastecida de soro especifico, e que há mais de um motorista na equipe, para o caso de ser você o acidentado

Invista na prevenção: perneiras até o joelho, e olhar bem onde se leva a mão. Recomendo também que avalie com calma o uso de 'chaps', confira no Amazon.com, perneiras desenvolvidas para as grandes cascavéis norte americanas e que vão até a virilha, com grande conforto. É o que uso.

Existem situações excepcionais onde valeria à pena arriscar com soroterapia em campo. Acidente laquético nas vastidões do norte, socorro à dias do alcance, profissionais na equipe aptos a tratar a anafilaxia (basicamente com adrenalina), é uma dessas situações, onde 10 a 20 ampolas de soro poderiam ser administrados na coxa do paciente, enquanto se segue rumo à unidade hospitalar. Mas não cabe inocente aqui: pode ocorrer broncoespasmo maciço, insuficiência respiratória aguda e necessidade de entubação imediata, com morte por asfixia se faltar equipamento e profissionais especializados.

Aqui http://www.lachesisbrasil.com.br/download/rmna.doc.pdf , da pagina 18 em diante, discuto essa possibilidade do tratamento ser iniciado em campo, em situações desesperadoras. Não é seu caso.

Não deixe de conferir:

http://lachesisbrasil.blogspot.com.br/2013/08/primeiros-socorros-aos-acidentados-por.html


Abraço,


R


PS: coloquei asterisco em 'tempo normalmente hábil para atuação' para dar ênfase à prevenção dos acidentes, e ilustro abaixo a aleatoriedade que pode ser encontrada no ofidismo:

1) sei de um caso comprovado de morte por acidente botrópico em 60 minutos aproximadamente, envolveu mulher adulta, e o terrível azar de inoculação INTRAVASCULAR justo em picada de Bothrops jararacuçu, a maior produtora de veneno entre as Bothrops. Isso mesmo, a presa da cobra acertou o interior de uma veia, despejando veneno direto na circulação.

2) sei de acidente laquético no Pico da Neblina, envolvendo militar e tentativa de evacuação rápida (inferior a três horas) por helicóptero, e que também evoluiu para óbito.

3) sei de criança que morreu em 90 minutos após acidente laquético, no peito, a duas horas do socorro:

http://lachesisbrasil.blogspot.com.br/2011/01/sobre-o-tamanho-verdadeiro-de-lachesis.html

3) durante as filmagens de Fitzcarraldo (Herzog) na Amazônia, um operador de motosserra, nativo, foi picado por surucucu do pé, e se viu no dilema de enfrentar dois dias de barco até o socorro, ou meter a motosserra em sua canela, no ato, amputando a própria perna.




Não pensou duas vezes, garroteou e amputou a seco. O relato está em 'Venomous Reptiles of the Western Hemisphere', de Campbel, e Lammar. 'Quem sou eu para julgar', é o que penso só de olhar para a paisagem acima. Na mesma linha, e mais politicamente incorreto que nunca, não digo que 'jamais garrotearei', mesmo sabendo o que ocorrerá abaixo (distal) do garrote. Situações extremas, medidas extremas.

4) Emanuelle Gallman, morreu minutos após o acidente, estava 'sensibilizado' por acidentes prévios, e houve anafilaxia, como me informou o Dr. David Warrel, de Oxford, amigo da família e maior conhecedor deste caso, em comunicação pessoal: http://lachesisbrasil.blogspot.com.br/2011/08/em-memoria-de-emanuele-gallmann.html FICANDO AQUI A ADVERTÊNCIA AOS COLEGAS TRATADORES PROFISSIONAIS, COM OU SEM ACIDENTES PRÉVIOS.

5) Dean Ripa entrou em estado de choque, colapso completo sem pressão arterial, quatro minutos após acidente laquético, sendo salvo pelo brilhante time de paramédicos que respondeu em cinco minutos à chamada telefônica de sua esposa.

ou seja, um mundo de incertezas se abre após a ocorrência dos acidentes ofídicos, essa é a verdade, como também é verdade que sua imensa maioria é evitável com antecipação, concentração e respeito.

'PREVENÇÃO COMEÇA AO SE RECONHECER O RISCO' (Cavendish e Pearl)


Quanto ao equipamento citado - 'chaps' - confira:

http://www.amazon.com/Nite-Lite-Outdoor-Gear-Zippered/dp/B0057KLJ6M/ref=sr_1_2?s=sporting-goods&ie=UTF8&qid=1401558395&sr=1-2&keywords=snake+proof+chaps








sexta-feira, 23 de maio de 2014

Crax e Kermode, em Serra Grande



Comentários irritados num de nossos videos. Um sujeito abomina essa ideia de que avançamos sobre habitats alheios. Considera tudo nosso, dos humanos, naturalmente e sem restrições. E para não perder a viagem, deixou também registrado que cobra boa é cobra morta.

Visão utilitária da natureza, neo-eco-antropocentrismo VERSUS o direito dos viventes como um todo.

A área do NSG tem um pomposo titulo de 'Reserva de Biosfera - Patrimônio da Humanidade - UNESCO'. Para quem não sabe UNESCO é o braço ambiental das Nações Unidas.

Região fragilíssima (93% já destruída), não comporta mais qualquer pressão antrópica. Toda e qualquer interferência quebra corredores ecológicos entre reservas particulares, e entre reservas particulares e o Parque Estadual do Condurú, isolando populações. É área onde no seculo XXI ainda são encontradas especies novas e concentrações populacionais inéditas de outras, sendo também o ultimo refugio de algumas.

No mapa abaixo, amarelo é o que era a mata, verde é o que é hoje. A seta aponta onde estamos:




Impossível não lembrar aqui do urso Kermode e do adolescente Simon Jackson, enfrentando e vencendo a fortíssima industria madeireira para garantir sobrevida a uma população de cerca de quatrocentos destes ursos. Seus esforços transformaram em reserva uma área de 6.500 km quadrados na ilha Princess Royal, Canadá.

Confira essa vitoria improvável:

http://www.huffingtonpost.ca/2013/06/07/simon-jackson-guardian-angels-of-the-planet_n_3404424.html

Nossa luta brazuca é menos badalada, mas tão justa quanto, e explico: a leste do Núcleo Serra Grande, numa estreita (4 km) faixa de Mata Atlântica, um animal ainda mais ameaçado acaba de ser localizado.

Estima-se que não hajam mais que duzentos e cinquenta Mutuns-do-Bico-Vermelho na natureza http://www.wikiaves.com.br/mutum-de-bico-vermelho  e esse casal abaixo foi fotografados no mês passado, justo na área em questão.




Tenho tido contato com a Diretoria de Uso Sustentável da Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente, e como já disse no post 'Cumprindo Ordens', encontrei ali um Funcionalismo Público diferente e que me enche de esperança. Mulheres no comando: respeito à Lei, ao cidadão, e espero, também aos ninhos.

Dra. Hanry, Dra. Maria Izabel, estamos aqui: 14°24'59.47"S / 39°3'24.61"W  eu, mutuns, surucucus, precisando muito de sua ajuda.




Luz no fim do túnel no Rio de Janeiro



"Li em algum lugar aqui no blog que a surucucu pode estar extinta no Rio de Janeiro mas vi em um site sobre a Reserva Biológica União uma fotos de um possível exemplar tiradas pelos fotógrafos: Marcos Felipe da Rocha Pinto e Carina Araújo da Silva, achei que vcs do Núcleo Serra Grande achariam interessante" 

Leitor do blog, anônimo, localiza e compartilha a presença de Lachesis muta rhombeata de forma inequívoca no estado do Rio de Janeiro, na Reserva Biológica União, em Rocha Leão, Rio das Ostras. Confira:

http://www.terrabrasil.org.br/ecosistema/ecosist_levfotfauna.htm

Outra localidade em que depositamos esperanças em função de relato informal é o entorno de Cassimiro de Abreu, RJ. Qualquer informação adicional seria de grande valia.

Fica corrigida então, felizmente, a distribuição geográfica da surucucu da Mata Atlântica neste blog: do Rio de Janeiro ao Rio Grande do Norte e Ceará (Baturité). Considerávamos a possibilidade da sua extinção naquele estado (RJ), como ocorreu em Minas Gerais (Zona da Mata/Noroeste mineiro). O Parque do Rio Doce (MG) é um natural território de Lachesis sem Lachesis, pelo que nos indica Feio e cols, da Universidade Federal de Viçosa.