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sábado, 4 de junho de 2011

Sobre a última surucucu mineira 2

Escrevi sobre a busca quase alegorica pela última surucucu mineira em:

http://lachesisbrasil.blogspot.com/2011/01/ultima-surucucu-mineira.html

É habito e disciplina, e minha verdadeira escola, há 12 anos faço isso non-stop: quando vejo uma mão calejada de enxada e machado em um dos meus pacientes, indago sobre as cobras de sua região. Quando identifico alguem oriundo de conhecidas areas florestais do noroeste, norte e leste brasileiros (do Rio de Janeiro para cima), refino a busca focado em Lachesis.

Não tenho o menor respeito pelas classificações de cobra "do povo". Tudo é 'jararaca', tudo é venenoso, tudo merece porrete, mas semana passada tive um depoimento curioso e intrigante. Devidamente autorizado pelo paciente, reproduzo abaixo o que escutei.

Trata-se de Honorino Soares dos Santos, de 75 anos. Quando perguntado sobre cobras, soltou de cara que 'na minha área a coisa é mais complicada do que com estas cascavelzinhas daqui', dei corda e ele prosseguiu 'lá tem ipê que 10 homens não abraça, em mata que não queima', dei mais corda e foquei na tal surucucu, no que ele emendou 'um monstro doutor, se o Sr. passar a mão em uma vai ver que ele é áspera como a jaca mesmo, é uma carapaça'. Na sequencia acertou a coloração, o tamanho correto (até 3 metros) e até o comportamento.

A rugosidade de Lachesis é especialmente interessante e foi discutida abaixo, como uma hiper queratinização adaptativa ao ambiente super umido, e tambem, como acessório fundamental na função escavatoria. Inúmeras vezes já presenciei Lachesis saindo imundas das tocas do NSG, reproduzindo o comportamento verificado na natureza de alargar os tuneis das pacas e tatús, esfregando-se contra as paredes, e criando alí sua sala,  podendo assim neste ambiente maior enrolar-se sobre os ovos, não para 'chocá-los' mas para higro-regulação e proteção contra pisoteio do destrambelhado tatú. Confira:

http://lachesisbrasil.blogspot.com/2011/02/eco-biologia-do-generobaseada-no.html

Para quem não teve a chance de ver uma Lachesis adulta enrodilhada, com uma referencia de tamanho ao lado para setir melhor a escala, segue a foto abaixo:




Mas voltando ao relato  do Sr. Honorino, e para nossa busca da 'última surucucu mineira', este Sr. mapeou como territorio de Lachesis as matas 'primarias' compreendidas entre as cidades de Carlos Chagas e Pavão, notadamente aquelas proximas ao Corrego do Gavião. Pelo que entendi areas de preservação permanente nas fazendas dos Srs. "Gentil, Gervalino, Levy Cangussú e Dr. Danilo".

Trata-se da região leste-nordeste de Minas, rumo ao sul da Bahia, e onde já houve um dia contiguidade com a Mata Atlantica do litoral.

O ponto mais elevado do eixo Carlos Chagas - Pavão é uma mata no meio do caminho, com cerca de 550 mts de altitude, 1.8 x 2,5 Km de comprimento nos prinipais eixos e em forma de cruz, coordenadas 17°35'17.17"S e  40°52'40.38"W:




   


550 metros de altitude, mata densa, em antiga continuidade com a Mata Atlantica do sul da Bahia. Mas com dimensões reduzidas demais para comportar uma população do porte do gênero. Não sei não, a dúvida que fica é se 'achamos' a 'ultima surucucu mineira', ou a tumba da última surucucu mineira, ironicamente em forma de cruz

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