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INDICE AO BLOG NSG E À BIBLIOTECA VIRTUAL LACHESISBRASIL BASEADO EM BUSCAS ESPECÍFICAS

OBSERVE POR FAVOR QUE A MAIORIA DOS LINKS SÃO AUTO EXPLICATIVOS, E CONTÉM INDICAÇÃO DE CONTEÚDO ANTES MESMO DE SUA ABERTURA: 1) SOBRE ...

sábado, 5 de novembro de 2011

Aranha marrom na área (aumente o som)



Abaixo Luquinha e Bibo em 2006, necessariamente safos - questão de sobrevivência - em meio a uma infância dentro da Mata Atlântica do Sul da Bahia:


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No vídeo abaixo, o mesmo Luquinha seguro em seus passos, em meio a aranhas e matas, 6 anos depois ...



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E um pouco mais de lembranças da uma infância abençoada de meus meninos .....












No link abaixo, Loxoscelismo: apresentação de um raro caso fatal:


http://www.lachesisbrasil.com.br/download/Learning%20to%20ask%20questions.pdf

sábado, 22 de outubro de 2011

Retirada de ovos da fêmea, ou do casal



O leitor do blog Gustavo pegunta sobre o porque da necessidade de se retirar os ovos da fêmea, e se isso não é perigoso.

Retiro os ovos da fêmea porque não tenho como oferecer aos ovos a segurança que uma verdadeira galeria de paca ou tatu ofereceria. Estas galerias são sítios naturais da postura. A fêmea passa meses escavando, alargando o que o mateiro chama de 'panela', que é o local onde ela permanecerá enrodilhada sobre os ovos. E sim, a rugosidade em Lachesis tem função escavatória, também. Para facilitar, crio uma 'panela' para ela no final do túnel. Essa 'panela' tem uma tampa, que removo para avaliar os animais, e retirar ovos. Mas pode ocorrer a postura de ovos no corredor, e aí a dificuldade (e perigo) é grande. Na primeira foto do link abaixo uma 'panela' com tampa levantada e ovos:

http://www.lachesisbrasil.com.br/download/BulChicagoHerpSoc_Vol42Num3pp41-43%282007%29.pdf

Meu método de incubação é ditado pela Mata Atlântica  Os ovos ficam na floresta, que determina temperatura e umidade. Repare nas fotos abaixo que logo que tenho um conjunto de ovos formado, selo o recipiente contra ataque de moscas. Se expostos, os ovos não emplacam 5 dias. Nas profundas galerias isso não ocorre: insetos não voam para o escuro.

A fêmea permanece com ovos para protegê-los de pisaduras de paca e tatu  alem de investidas de teiús. Em todas as reproduções do NSG, o macho também permaneceu com ovos. Pode haver componente de higrorregulação nesse comportamento.

E se é perigosa a remoção dos ovos a resposta é sim. Talvez o pior momento no manejo. Se os ovos rolarem, perdem-se. Se você vacilar, pode se acidentar feio. Mas esta é a unica forma em que ocorreu reprodução em cativeiro do gênero Lachesis no Brasil...


Esta é a visão do desafio...

que tenho deste ponto de vista....


.... e retirar nesse contexto, um, cinco, dez ou mais ovos, e viver para contar, só se faz com calma tempo e pratica, conhecendo o comportamento do animal, e o momento de avançar ou recuar....


LEIA TAMBEM:



quinta-feira, 29 de setembro de 2011

"Já era não existe"



Sempre tive muito medo de faca. 20 anos de medicina, centenas de casos. Morte e vida na mesa de cirurgia.


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Desconfiado de mim mesmo, fui a um seminário de Krav Maga sobre técnicas de faca, defesa e ataque (!) Domingo, de 7 da manhã às 5 da tarde. Instrutor: Kobi Lichtenstein, 47 anos, ex-integrante das Forças Armadas de Israel, membro do pequeno grupo escolhido pelo próprio criador do Krav Maga, Imi Lichtenfeld, para difundir pelo mundo a defesa pessoal do exercito israelense.

Escutar Mestre Kobi falar com os olhos faiscando daqueles idos de 1930, com Imi nas ruas literalmente lutando para sobreviver ao nazi-fascismo, e posteriormente na década de 40, também nas ruas, sobrevivendo na mão à Palestina, já teria valido o dia. Mas tinha mais.

Treinamos à exaustão diversas técnicas, usando facas de plastico. O Krav Maga é tão simples, lógico e objetivo, que de certa forma e estranhamente, nada daquilo parecia novidade. Ao fim do dia tínhamos as bases e princípios desse tópico, que obviamente pede décadas de treino para o domínio pleno.

O que ficou de principal para mim, foi escutar aquele sobrevivente do Oriente Médio repetir furioso, e com sinceridade nítida, que "JÁ ERA NÃO EXISTE" para quem pretende ser seu aluno. Nunca entregar os pontos, nem depois da primeira facada: estatísticas policiais mostram que normalmente se morre na quarta; ou extrapolando, nunca sucumbir à pressão de espécie alguma: doenças, julgamentos, marés baixas da vida em geral.

E foi assim que a pessoa desconfiada de si mesmo voltou para casa mudada.






Obrigado Mestre Kobi













quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Cuidado parental em Lachesis




Herpetologista mirim Vinicius pergunta: "Mas como ela pode chocar ovos se os repteis tem a mesma temperatura do ambiente ?"

O termo chocar, como fazem as galinhas, não é adequado ao caso da surucucu. A fêmea coloca seus ovos e fica sobre eles sem possibilidade de mudar a temperatura ambiente (termorregulação), mas com alguma possibilidade de atuar na umidade sobre os ovos (higrorregulação), formando uma cúpula que retém em parte a dispersão de evaporação natural do solo. Vou checar a opinião de dois especialistas, Drs. Somma e Harry Greene, e retorno à sua pergunta.

Quando você vê uma Lachesis sobre os ovos é impossível não associar ao ato de chocar, você tem razão. O que ocorre para mim, é que ela esta fisicamente protegendo ovos do pisoteio do destrambelhado tatu ou da arisca paca, ou de algum teiú faminto. A surucucu, para fugir de alagamentos e dos perigos da Mata Tropical, bota seus ovos no final destes tuneis escuros (inseto não voa para a escuridão), e convive com seus proprietários originais (paca e tatu). Se os ovos forem pisados e girados em seu eixo pelos donos da casa, uma bolha de ar interna fará com que o embrião seja perdido, como se descolássemos uma placenta do útero dos mamíferos. Creio ser este o principal motivo, proteção mecânica, de Lachesis não desgrudar dos ovos.

Mando-lhe abaixo uma foto raríssima, do amigo Earl Turner, que ilustra bem como esta proteção sobre os ovos ocorre, e que dá sim esta sua sensação da cobra esta 'chocando'. O animal da foto é uma Lachesis stenophrys, da America Central. Com a surucucu da Mata Atlantica, Lachesis muta rhombeata, por 03 vezes distintas, flagrei macho e fêmea guardando os ovos, e não só a fêmea.






                                Dr. Somma responde alguns dias depois....


Caro Vinicius, Dr. Somma me respondeu dizendo que não há uma evidencia direta de que ocorra alteração dos níveis de umidade pela presença física do animal genitor junto aos ovos. O cuidado dos pais com ovos e prole em repteis é alvo de seus estudos, e envio-lhe  um deles, verdadeiramente espetacular, em especial nas referencias a autores pioneiros....









E Dr. Harry Greene nos responde alguns dias depois.....


Caro Vinicius, Dr. Harry Greene é um dos maiores na herpetologia mundial, e me responde com a classe e a autoridade de sempre. Ele acha que a 'agregação' (ficar juntos) retarda a perda de liquido nos recém nascidos, e portanto, traria algum nível de higrorregulação num dado grupo, superior à de um individuo sozinho. Mas este cuidado dos pais com filhotes em Viperidae tem complexidade muito maior que esta de manter umidade. Tudo indica que há comportamentos transmitidos, por incrível que isso pareça, e a necessidade de estudos sobre o tema é enorme. Abaixo o resumo de um trabalho de Dr. Green sobre o tema:



PARENTAL BEHAVlOR IN VIPERS
(HARRY GREENE E COLS.)



"Field studies, laboratory experiments and phylogenic analyses show that parental behavior by vipers is more interesting than previously realized. Telemetered Crotalus remain with eggs during incubation, those of 19 species in four genera remain with their young for several days after birth. And thus pits, defensive caudal sound production, and attendance of neonatcs arc hisrorically correlated. Alternatively, parental behavior appeared earlier in the evolution of snakes or even anguimorphs and later was elaborated or lost in many lineages. Pitvipers probably protect their eggs and/or offspring from predators, and aggregation might enhance thermoregulation and retard water loss by neonates. Tongue-flicking among littennates and liiothers might facilitate chemically-medialed social mechanisms. Physiological control mechanisms. Ecological consequences, variable timing of neonatal ecdysis and individual, population, and taxononomic variation in parental behavior by snakes warrant further studies"





Bom Vinicius, vimos que Somma e Greene tem visões diferentes. É tema com questões abertas, e mais duvidas que certezas, mesmo por parte dos REALMENTE grandes na herpetologia mundial. Continue pensando, e ajude-nos a compreender um tema dificil como este.

Meu artigo favorito em reprodução de Lachesis: uma homenagem a Boyer e equipe, Dallas Zoo



Todos os que reproduzem Lachesis de forma consistente no planeta, um clube de talvez cinco membros, tiveram um dia que beber da fonte da Herpetologia do Dallas Zoo.

Fica aqui a homenagem, a gratidão e a admiração pelo esforço pioneiro daquela instituição, e à Ruston Hartdegen, atual Curador para Repteis, meu obrigado pelos originais e pelo apoio de sempre ao Núcleo Serra Grande.

Com vocês meu artigo favorito no tema reprodução de Lachesis:
















































































































Acidente laquético complicado: pouco soro, e tarde demais. E fica a advertencia: acidente em trilha larga, bote a mais de 1 metro de distancia, a nivel de joelho












































































































































"Como evitar o acidente laquetico ?", desta vez pergunta da Espanha

Sr. Rodrigo Souza,

Temos uma casa na floresta amazônica, no Km 36 da margem esquerda do rio Manacapuru, a uns 100 Km de Manaus.

Recentemente foram vistas em repetidas oportunidades surucucú pico de jaca nos arredores da casa.

Esta casa é uma base na qual pretendemos desenvolver atividades de turismo sustentável, fotografia, etc.

Temos uma plantação de cupuaçu (Theobroma sp) e castanha do Pará (Bertholetia excelsa) que pretendemos utilizar para manter a estrutura, ja que nosso fluxo de visitantes é bem baixo.

No mes de setembro vou lá ( moro na Espanha) com uma pequena equipe de TV para gravar um programa de aventura e cozinha amazônica e estou inquieto com a informação da presença das Lachesis na área.

Gostaria de solicitar  alguma informação de como atuar no caso ocorra algum acidente, a casa está a 2 horas da cidade de Manacapuru ( que não sei se tem soro para este tipo de acidente) e a 3 1/2 horas de Manaus). Imagino que existe algum protocolo de atuação e gostaria, se for possível, pedir indicações para conseguir os mais acertados a este respeito.

Muito obrigado.

Atenciosamente,


Daniel G*



Caro Daniel, toda a Amazonia é territorio de Lachesis, não há garantia de 'como evitar'. Aqui um PDF bem comlpleto para que compreenda o que fazer para minimizar as chances,  e como proceder caso o acidente ocorra: http://www.lachesisbrasil.com.br/download/rmna.doc.pdf


Ou se preferir, no link a seguir uma versão resumida deste texto, em inglês: http://www.lachesisbrasil.com.br/download/BulChicagoHerpSoc_Vol42Num7pp105-115%282007%29.pdf


O mais importante é a possibilidade de deslocamento rápido para Manacapuru e Manaus. Antecipe as ações a serem tomadas, tenha tudo em mente, desde a garantia de bons motores de popa (e gasolina suficiente) com pilotos locais, até contato prévio com o hospital municipal, no seu caso de Manacapurú, para avaliar se vale a pena parar lá ou seguir para Manaus.

Dicas básicas, sempre negligenciadas: evitar acumulo de lixo ou estoque de alimentos que atraiam ratos para perto da casa; ter aves ornamentais como as 'galinhas d'angola' ou 'cocá' criadas nos arredores da casa; ter trilhas sempre largas (1 mt) para deslocamentos; evitar a mata à noite; olhar bem o que pega no chão, jamais introduzir mão em buracos de tatu, 
manter os arredores da casa ou acampamento iluminados, e se avistar uma Lachesis - um animal pacifico - não tentar matá-la ou capturá-la, pois as reações podem surpreender. Puro bom senso.

Tirando soro nenhum, a pior combinação possivel em caso de acidente é pouco soro, administrado tardiamente. O cenario ideal são de 15 a 20 ampolas disponiveis na primeira hora da picada. Segue no link um relato que envolveu a combinação de pouco soro e administração tardia, e que e resultou em 3 meses de hospital, com amputação da perna no quadril (desarticulação). Outro caso onde não houve antecipação, não contavam com a possibilidade deste acidente ocorrer:


http://lachesisbrasil.blogspot.com.br/2011/08/sobre-combinacao-de-pouco-soro-e.html


ABAIXO UM OUTRO ACIDENTE, OCORRIDO COM UMA DINAMARQUESA EM TRINIDAD EM 2007. Esta Sra. foi vitima de um acidente muito grave, que a colocou em hipotensão rapidamente, e foi salva pela competencia do resort que a encaminhou rapidamente ao socorro medico, onde recebeu soroterapia especifica em tempo hábil e quantidade suficiente. CONTUDO, veja no seu texto que ela nem sonhava que cobras como Lachesis pudessem ocorrer na região, E BEM PROXIMAS AO HOTEL.


EM COMUM AOS DOIS CASOS A POTENCIA DE LACHESIS: BOTES ALTOS E DESFERIDOS DE BOA DISTANCIA. BOM MESMO É OLHAR ONDE SE PISA, NÃO CONFIANDO NA PROTEÇÃO DE BOTAS ALTAS EM TERRITÓRIO DE LACHESIS. MUITAS VEZES PODE-SE OUVIR O ANIMAL - QUE REAGE Á VIBRAÇÃO DE SUA PISADA - ANTES MESMO DE VÊ-LA, CONHEÇA AQUI O SOM DA SURUCUCU, E FAÇA DO SILENCIO UM ALIADO NAS TRILHAS:

http://www.youtube.com/watch?v=-QXgxB81yAA


Fique abaixo com o relato de Helle Hansen, que nem sonhava ('didnt give it a thought') com a possibilidade do acidente. DE NOVO A QUESTÃO DA ANTECIPAÇÃO....










































































sábado, 6 de agosto de 2011

'Confinamento ético'



Anônimo pergunta o que entendo por 'confinamento ético'.

Respondo que no mundo ideal, a própria palavra 'confinamento' de fauna já seria anti-ética, contudo, numa área com supressão de 93% de habitat, ao se oferecer aos indivíduos em programa de reprodução em cativeiro o método NSG - meu conceito pessoal de confinamento ético - chegou-se a resultados (nascimentos) nunca alcançados no Brasil, o que indica, no mínimo, que os animais custodiados sentem-se bem onde estão.






Abaixo o 'tuppeware' da herpetologia moderna,  só usamos confinamento em espaço tão restrito por no máximo 48 horas, para soltar 'mudas encroadas' (trocas de pele aderidas). Repare na bromélia no interior da caixa, parcialmente submersa: esta planta apresenta aqui duas funções, servir de apoio ao animal, por questão de conforto, e também atua como uma especie de lamina, arrancando pele de mudas incompletas (agora soltas, porque úmidas) enquanto o animal se desloca pela caixa.



Beware of dry sheds. NSG techniques, with results after 6 hours of imersion. Bromeliad as head rest



Confinamento ético seria então tentar criar a condição onde o cativo não sabe que está preso, ou não se ressente desta condição, algo mensurável:  se o animal não tem aquele focinho arranhado e ferido, é porque não está procurando rota de fuga, e sente-se bem onde está.

Abaixo dois animais em 40 metros quadrados de viveiro de tela, dentro da Mata Atlântica.

Confira: http://lachesisbrasil.blogspot.com.br/2013/02/ferias.html






Além dos focinhos ilesos, ritmo alimentar forte, tônus, baixa irritabilidade e acasalamentos, beleza também atesta como o animal se sente. Melhor mostrar do que falar....






Warrel de novo, bom lembrar: em 50% das picadas não há inoculação



Antes de creditarmos qualquer beneficio a esse ou aquele tratamento empÍrico, é sempre bom ter Warrell em mente, que comentando picadas de cobras venenosas em "Snakebites in five continents" afirma:

"FIFTY PER CENT OF ALL BITES ARE DRY BITES"



"50 % das picadas não tem inoculação".



Esse paciente acima chegou até a mim em Itacaré contando que ao introduzir uma vareta num buraco de tatú para forçar sua saida, foi surpreendido pela rapida investida de uma "Apaga-Fogo" vinda do fundo da toca, mal tendo tempo de recuar, e sendo atigido no polegar da mão direita, acima. Garroteou o dedo (veja marcas do garrote da base do dedo), bebeu 'sumo de graviola' e procurou o hospital. A ausencia de dôr local, sem outras avaliações, me fez concluir por retardar qualquer medida mais agressiva. Para conforto psicologico do paciente, muito abalado e certo da morte, foi ligado soro glicosado 5% em uma veia periferica e o mesmo permaneceu em observação sem intercorrencias por 24 hs, recebendo alta hospitalar findo este periodo, com dados vitais estaveis.


Mantenha distancia de buracos de tatú em territorio de Lachesis

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Os essenciais 10: Kuki Gallmann e David Warrel



Duas vidas dedicadas à ciência e à conservação da natureza. Nem sabia que eram amigos. Estudando ofidismo com Dr. David Warrel, recebi dele esta foto com Kuki:




Sobre Dr.Warrel, de Oxford, pouco a dizer: trata-se da maior autoridade em ofidismo no planeta. Conhece todos os envenenamentos causados por serpentes, publicou sobre todos os gêneros. Seu "Snakebites in five continents" é antológico, e demonstra com simplicidade uma vida de trabalho em campo, nos lugares mais esquecidos, ensinando, tratando e aliviando dor, encaminhando recursos técnicos e materiais aos mais necessitados.

Com humildade e paciência, troca correspondência comigo. O assunto de hoje foi a morte de Emanuelle Gallmann. Li o relato de Kuki dos momentos que se seguiram à picada que matou seu filho: não sangrava no local da inoculação, não sangrava no corte que fizeram a faca sobre a marca das presas para sugar o veneno. O menino entrou em estado de choque muito rápido, talvez em menos de 15 minutos. Avaliei que Emanuelle entrara na temida Coagulação Intravascular Disseminada, com sangue solido nas veias.

Dr.Warrel discorda. Amigo da família, tinha 'inside informations' que eu desconhecia por completo. Emanuelle já havia sido picado outras duas vezes por puff adders, em acidentes de baixa inoculação. Estava portanto 'sensibilizado', e assim segundo meu Professor, Emanuelle morreu tão rápido frente a uma ANAFILAXIA, uma reação alérgica com queda de pressão aterial e dificuldade respiratória gravíssimas.

Nas palavras de Dr.Warrel:

Dear Rodrigo,

...Thanks. I know a lot about the tragic case of Emanuelle Gallmann, as featured in “I dreamed of Africa” by Kuki Gallmann his mother who is a friend of mine (see attached). He died of anaphylaxis, resulting from hypersensitisation to Bitis arietans venom, resulting from previous bites by this species. There have been several other cases of such rapid anaphylactic deaths in habitual snake handlers including, perhaps, the recent death of Luke Yeomans in UK...

... Anaphylaxis is an over whelming ALLERGIC REACTION causing shock, urticarial skin eruption, asthma and swelling of the throat (angioedema). Apart from fall in blood pressure, these effects are quite different from envenoming. Anaphylaxis can be triggered by a tiny dose of venom in someone who is hypersensitised....


Outras brainstorms memoráveis com o Professor foram sobre a ilusão da 'dessensibilização' pré soroterapia preconizada inclusive por nosso Ministério da Saúde, e das enormes expectativas quase nunca correspondidas pelas fasciotomias:

http://lachesisbrasil.blogspot.com/2011/03/nao-existe-eficacia-na-medicacao-pre.html


Concluindo e voltando a Kuki, no momento da agonia de seu filho ela lhe dirigiu duas perguntas:

"Corto sua mão ?" "Corto seu braço ?"...

Sim, estamos falando de uma mãe checando (sem resposta) se seria o caso de amputar a seco o braço do filho, para salvar-lhe a vida. Eu não tenho dúvida de que ela garrotearia, e deceparia a facão o membro acometido. Isso mostra um pouco mais de que mulher estamos aqui chamando de Essencial.

LEIA TAMBÉM:

http://lachesisbrasil.blogspot.com.br/2011/08/em-memoria-de-emanuele-gallmann.html

http://lachesisbrasil.blogspot.com/2011/07/uma-mulher-sem-adjetivos.html